E porque hoje parece ser o dia dos poemas lol (de minha autoria)... aqui deixo mais um. Uma vez mais, leiam, comentem... :)
Redenção
Tua uma vez,
Para sempre tua!
A minha alma que se te apresenta nua
Livre de complexos e cheia de amor,
De sentimento e rendição
A cada toque da tua mão,
A cada momento íntimo que me envolve
Um arrepio de prazer ínfimo que me percorre
Um sopro, um suspiro, um gemido.
Nada neste mundo me é tão querido,
Como tu!
Derreto-me a cada beijo
Que em mim depositas ternamente.
Coro na penumbra do quarto
Enquanto tornas o meu corpo incandescente.
Incendeias-me com o teu olhar
Que perscruta a minha alma nua
Rendo-me somente a ti...
Tua uma vez,
Para sempre tua!
março 15, 2008
Sinto...
E após uma ausência de sensivelmente 3 meses (do blog, apenas)... eis que decidi "voltar" e de forma quase inédita! Há uns meses (poderia mesmo dizer anos dado que foi em 2006), deixei-vos aqui um texto meu nada usual na minha pessoa - um poema. Eis que regresso, com outro! Espero que gostem e que comentem :)
Sinto-me assim...
Cheia de nada.
Qual princesa mimada
A quem nada é recusado,
A quem tudo é dado,
E, no entanto, tão pouco tem...
Sinto frio,
Sinto saudade,
Sinto vontade de gritar!
Preencher o vazio
E fazer a vontade
Ao meu coração que te quer amar!
Sinto angústia,
Sinto dor,
Quero arrancar de mim
A inércia,
Quero voltar a sentir calor.
Sinto medo,
Sinto-me frustrada.
Gostaria de mudar o mundo,
Trazer-te para perto de mim
E voltar a sentir-me amada.
Mas não posso mudar o mundo!
E enquanto espero... Apenas sei
Que sinto o que sinto,
Tendo comigo a certeza
Que sempre te amei!
Sinto-me assim...
Cheia de nada.
Qual princesa mimada
A quem nada é recusado,
A quem tudo é dado,
E, no entanto, tão pouco tem...
Sinto frio,
Sinto saudade,
Sinto vontade de gritar!
Preencher o vazio
E fazer a vontade
Ao meu coração que te quer amar!
Sinto angústia,
Sinto dor,
Quero arrancar de mim
A inércia,
Quero voltar a sentir calor.
Sinto medo,
Sinto-me frustrada.
Gostaria de mudar o mundo,
Trazer-te para perto de mim
E voltar a sentir-me amada.
Mas não posso mudar o mundo!
E enquanto espero... Apenas sei
Que sinto o que sinto,
Tendo comigo a certeza
Que sempre te amei!
dezembro 14, 2007
Equipa AECs da EB1 Nº 113 dos Olivais
Licenciada em Comunicação Social há 5 meses e com currículos distribuídos em praticamente todo o lado possível e imaginário (dentro e fora da área de formação), eis que se me deparou o desafio de leccionar Inglês a alunos do 1º ciclo do ensino básico, numa escola primária nos Olivais (Lisboa).
Pensar que no segundo ano de frequência do curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Ingleses e Portugueses, desisti porque não me imaginava a dar aulas.., ironia do destino... o primeiro emprego pós-licencitura que consigo é precisamente o de professora em regime de actividades de enriquecimento curricular.
Decidi por isso homenagear a equipa de professores com que trabalho na EB1 Nº113 do Agrupamento das piscinas dos Olivais. Tenho pena de não ter uma foto decente (pelo tamanho e não pelo conteúdo) da nossa querida coordenadora, professora Dulce. De resto... aqui fica o belo do grupo (quem pior... se os professores ou os alunos... ainda estou para descobrir) ;p
Professor Martim (ed. física)
da esquerda para a direita:
professor Hugo e professor Ricardo (música)
Professor Luís (música)

Professora Margarida - que detesta que lhe tirem fotos (inglês)
da esquerda para a direita:
professora Sónia (música) e professora Joana (inglês)
da esquerda para a direita:
professor Nuno e professor Duarte (ed. física)
Pensar que no segundo ano de frequência do curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Ingleses e Portugueses, desisti porque não me imaginava a dar aulas.., ironia do destino... o primeiro emprego pós-licencitura que consigo é precisamente o de professora em regime de actividades de enriquecimento curricular.
Decidi por isso homenagear a equipa de professores com que trabalho na EB1 Nº113 do Agrupamento das piscinas dos Olivais. Tenho pena de não ter uma foto decente (pelo tamanho e não pelo conteúdo) da nossa querida coordenadora, professora Dulce. De resto... aqui fica o belo do grupo (quem pior... se os professores ou os alunos... ainda estou para descobrir) ;p
Professor Martim (ed. física)
da esquerda para a direita:professor Hugo e professor Ricardo (música)
Professor Luís (música)
Professora Margarida - que detesta que lhe tirem fotos (inglês)
da esquerda para a direita:professora Sónia (música) e professora Joana (inglês)
da esquerda para a direita:professor Nuno e professor Duarte (ed. física)
novembro 18, 2007
Abram alas para o Ozzy...
"Abram alas para o Ozzy"..., para o Carlitos, para o Patrão, para o Indy, para o Semi, para a Diana e para o Né!
E eis que "Tragic Comic are coming to town". De regresso à cidade que os viu nascer enquanto banda, eis que os TC presentearam os Almadenses com um concerto de apresentação do álbum Welcome To My Show.Uma vez mais, a Fnac do Almada Fórum encheu para os ouvir tocar, para cantar, saltar e vibrar com eles. Literalmente dos 8 aos 80, o espírito era sempre jovem e todos queriam mais.
Os 8 temas interpretados pelos Tragic souberam a pouco e levaram a reclamações por não ter sido permitido um encore.
Por ordem de entrada:
*Intro + Journey to the Unknown
*Dementia
*Are you ready for us
*Prisoner
*Please Don't Let Me Down
*SR
*Ozzy Theme
*The Dream Keepers
Como sempre, com sorrisos nos lábios e o rock nas veias, os Tragic Comic não só apresentaram o seu sonho tornado realidade, o álbum em que tanto batalharam para que pudesse
chegar até nós, como também incluiram todo o público presente no decorrer do concerto.
Por ordem de entrada:*Intro + Journey to the Unknown
*Dementia
*Are you ready for us
*Prisoner
*Please Don't Let Me Down
*SR
*Ozzy Theme
*The Dream Keepers
Como sempre, com sorrisos nos lábios e o rock nas veias, os Tragic Comic não só apresentaram o seu sonho tornado realidade, o álbum em que tanto batalharam para que pudesse
chegar até nós, como também incluiram todo o público presente no decorrer do concerto. Penso não cometer nenhum erro em dizer que o momento alto da tarde foi mesmo a balada SR, quando todo o público cantou, sem erros, mais ou menos no tom e tempo certos, o refrão.
Acho que nem mesmo a banda esperava que a música mais melancólica do álbum, e não tão conhecida do público (dado que o single que ja toca pelas rádios nacionais é o Please Don't Let me Down) fosse aquela em que o auditório na FNAC se fez ouvir em uníssono.
Desde já o meu OBRIGADA a todos os elementos da banda pelos autógrafos tão carinhosos que me escreveram no livrete do CD. Pelo carinho e pelo apoio. Um beijo enorme para todos :)
Rock On!
Rock On!
setembro 06, 2007
"O Vestido" finalmente à venda
Pois bem caros/as amigos/as,
O meu livro, intitulado O Vestido, está finalmente à venda. Tal como no seu lançamento, o preço de venda é de 16€ (é de capa rija) e pode ser encomendado no site da Corpos Editora e, segundo me disseram (os editores), na Fnac...
Pode ainda ser encontrado nas seguintes livrarias:
- Sá da Costa (Chiado - Lisboa)
- Livraria Culsete (Setúbal)
- Leitura (baixa do Porto)
- Lello (clérigos- Porto)
- Poetria (baixa do Porto)
- Leitura (baixa Porto)
- Bertrand Stª Catarina (Porto)
- Livraria Garfos e Letras (Porto)
- Almedina (Arrábida Shopping em V. N. Gaia)
- Centro Elisabete Teixeira (V.N.Gaia)
- Bertrand Maia shopping (Maia)
- Bertrand Parque Nascente ( Rio Tinto)
- O Livreiro (Chaves)
- Melo e Castro (Felgueiras)
- Livraria Esperança (Funchal- Madeira)
:)
O meu livro, intitulado O Vestido, está finalmente à venda. Tal como no seu lançamento, o preço de venda é de 16€ (é de capa rija) e pode ser encomendado no site da Corpos Editora e, segundo me disseram (os editores), na Fnac...
Pode ainda ser encontrado nas seguintes livrarias:
- Sá da Costa (Chiado - Lisboa)
- Livraria Culsete (Setúbal)
- Leitura (baixa do Porto)
- Lello (clérigos- Porto)
- Poetria (baixa do Porto)
- Leitura (baixa Porto)
- Bertrand Stª Catarina (Porto)
- Livraria Garfos e Letras (Porto)
- Almedina (Arrábida Shopping em V. N. Gaia)
- Centro Elisabete Teixeira (V.N.Gaia)
- Bertrand Maia shopping (Maia)
- Bertrand Parque Nascente ( Rio Tinto)
- O Livreiro (Chaves)
- Melo e Castro (Felgueiras)
- Livraria Esperança (Funchal- Madeira)
:)
agosto 05, 2007
O livro!
Ora bem, foi ontem a grande noite de evento literário da Corpos Editora, no Muralhas Rock Bar, em Alcabideche, onde foi apresentado, entre outros, o meu livro :)

Aqui fica a capa do mesmo. Deve estar disponível para venda (o circuito de comercialização, di-lo-ei mais tarde... lol quando tiver a lista completa) em Setembro, o custo é de 16€.
Se alguem, conhecido, que queira o livro e que ainda não o tenha adquirido (ontem, no lançamento), e que não queira esperar por Setembro, pode contactar-me que ainda tenho alguns exemplares para venda, dos de ontem à noite ;)

Aqui fica a capa do mesmo. Deve estar disponível para venda (o circuito de comercialização, di-lo-ei mais tarde... lol quando tiver a lista completa) em Setembro, o custo é de 16€.
Se alguem, conhecido, que queira o livro e que ainda não o tenha adquirido (ontem, no lançamento), e que não queira esperar por Setembro, pode contactar-me que ainda tenho alguns exemplares para venda, dos de ontem à noite ;)
julho 19, 2007
A minha primeira entrevista... como entrevistada!
Inga Oliveira - Milene, diz o povo que para se atingir a plena maturidade temos que plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Qual dos três nasceu primeiro?Milene Emidio - Para ser sincera, foi a árvore (risos). Tinha nove aninhos quando plantei uma árvore, na minha escola preparatória, nas comemorações do dia mundial da árvore e da floresta. O livro, veio alguns anos depois.Com os meus 16 tentei fazê-lo, mas ao reler as cerca de cem páginas que tinha achei-o imaturo, sabia o que queria e vi que lhe faltava experiência de vida, não que escreva sobre o que me acontece ou acontece aos outros, mas senti que para determinados pormenores faltava-me viver mais, pesquisar mais, aprender mais sobre relacionamentos humanos, e perceber como funciona a sociedade e o mundo. Já so falta o filho!!
Inga Oliveira - Como, onde e quando "despertaste" para a escrita. Quem e o que te influênciou?
Milene Emidio - Tal como referia na resposta anterior, aos 16 anos fiz a minha primeira tentativa. Antes disso, sempre escrevi muito, mas nada completo. Era mais o escrever um diário pessoal, um diário de sonhos, pequenos contos ou textos livres. Nada que exigisse muita atenção ou esforço da minha parte. Desde pequenina que, e penso que todas as crianças passam por essa fase, gostava que me lessem histórias antes de dormir. Infelizmente, os meus pais não tinham muito tempo para isso e os avós não foram uma constante na minha vida. Ensinaram-me então a ler, mesmo antes de entrar para a escola, para que eu pudesse ler as histórias que queria antes de adormecer. Desde então não parei, ainda hoje sou uma consumidora assumida de literatura. Talvez por este motivo tenha desenvolvido o gosto pela escrita. As influências são muitas e variadas... Se remontar ao tempo em que comecei a ler, terei de confessar que foram os contos de Walt Disney (risos), depois vieram as Aventuras da Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, entre outras colecções também juvenis, das quais não me recordo dos autores (é vergonhoso, mas assim é), aos 12 já me aventurava com a obra completa de Agatha Christie e por fim veio a literatura de género fantástico com Juliet Marillier, Nora Roberts, Anne Bishop, entre outros. Li também outro tipo de literatura, mais que não fosse, tinha de ler alguns para as disciplinas que tive nos dois anos que passei na faculdade de Letras, mas como disse, para mim ler é um prazer, quase tão grande como escrever.Inga Oliveira - Que história é esta, a de "Um vestido"? Invenção ou um sonho teu?
Milene Emidio - Não perdoas uma! (risos) É verdade, O Vestido, nasceu de um sonho que tive. Basicamente todo o conteúdo do primeiro capítulo é reflexo do sonho que tive. E volto a referir que não! Não tem nada a ver com moda.Basicamente achei que seria interessante abordar temas que, hoje em dia são abordados em literatura fantástica, mas que não se encontram muito desenvolvidos. É normal neste estilo enveredar por histórias com magia,criaturas do nosso imaginário, terras que supostamente não existem. Eu queria algo místico, mas mais perto do ser humano. Resolvi então pegar num objecto comum e tão cobiçado por muitas mulheres - um vestido - e torná-lo no elemento que vai guiar uma personagem até um destino que tantos de nós gostariamos de conhecer.Inga Oliveira - Que importância teve para ti escreveres um livro assim e nesta altura da tua vida?
Milene Emidio - Por incrível que pareça, o livro começou a ser escrito há cinco anos e demorei quase quatro a acabá-lo. Começou por ser um texto livre (mais um entre tantos outros) para uma disciplina da faculdade. Foi o comentário feito pelo professor que me fez olhar de forma diferente para o texto e, então, continuá-lo. A importância na altura foi relativa. Quando o acabei, foi uma pequena realização pessoal... Era algo de meu, saído de mim que tomava forma em cerca de 80 páginas A4 impressas. Já a proposta editorial, essa sim, veio no momento exacto. Uma época menos boa da minha vida, em que passei por alguns momentos difíceis. A proposta da Corpos Editora foi a realização total, ou seja, era a minha pequena realização pessoal, de ter algo meu em papel que passava agora para o domínio público. É o poder oferecer algo nosso a alguém e sentir que esse alguém apreciou o nosso esforço. Mas ainda falta ver a aceitação por parte do público (risos).
Inga Oliveira - Hà, em algum momento, alguma passagem do livro momentos reais?? E as personagens, algumas são de "carne e osso" - reais?
Milene Emidio - Pergunta difícil, essa! Começo pelas personagens... (risos) Posso dizer que as personagens, ou parte do elenco, foi baseado em pessoas que conheço. Não na sua totalidade, mas algumas características foram retiradas de amigos, familiares, conhecidos... A parte curiosa, ou não, é que uma das personagens foi criada antes de uma certa pessoa ter aparecido na minha vida. E vim a descobrir que se tivesse baseado a personagem nessa mesma pessoa, não teria saído tão parecido. Acho que posso afirmar que será um alter ego dessa pessoa, mas para que conste, a personagem foi criada um ano e meio antes de eu sequer ter conhecimento da existencia da pessoa que hoje lhe dá corpo - são as chamadas coincidências (risos). Momentos reais no livro... Que me lembre, não. Não me baseei em factos históricos ou verídicos do quotidiano. Contudo, podiam muito bem ser reais, alguns deles, pelo menos. Pode haver, inclusivé quem se identifique com o que é narrado, mas não foram, de todo, reais.
Inga Oliveira - Os ambientes, o cenário da tua história, tu conhece-los ou também é imaginação??? E como os conseguiste criar????
Milene Emidio - Ora aí está algo que não sei responder (gargalhadas). Os locais descritos não os conheço, foram retirados na sua totalidade da minha imaginação. Mas podem existir, como não sou grande conhecedora dos recantos que este planeta guarda.... Agora a sério, foram criados por mim, na medida em que precisava de cenários que servissem as acções das personagens, isto é, se coloco uma casa, com jardim e com um riacho, é porque tanto o jardim como o riacho, em algum momento vão ser necessários para o desenvolvimento da história. E aproveitei, como adoro fazer descrições, tinha de criar ambientes envolventes e com bastantes pormenores para dar cor ao próprio texto.
Inga Oliveira - O Livro tem lançamento marcado para dia 4 de Agosto de 2007 pelas 22h30 onde ?
Milene Emidio - O livro vai ser lançado no primeiro sábado de Agosto, no Muralhas Rock Bar, em Alcabideche (Cascais), num evento promovido pela Corpos Editora, no qual vão estar presentes mais 8 autores, também com as suas obras mais recentes. Vamos ainda ter a presença de um espectáculo de poesia e música levado a cabo por um dos responsáveis pela editora, o Ex-Ricardo de Pinho Teixeira. Espero poder contar com a tua presença, Inga, assim como com a presença de todos aqueles que se queiram dirigir àquele espaço nessa noite.
julho 13, 2007
Lançamento do meu 1º Livro!
Pois é gente...

Um sonho que se torna realidade :)
O Vestido, toma finalmente forma, através da Corpos Editora, e eis que fica disponível para quem o quiser comprar / ler ;)
Desde já deixo este post ao vosso dispor para comentarem sobre o próprio evento, a ter lugar no Muralhas Rock Bar, em Cascais (4 de Agosto, às 22h30), ou então sobre o livro em si, a história, as personagens, o que esperam, se gostaram, se não... expectativas ;)
Enfim.. comentem!
(ah.. e.. APAREÇAM no lançamento ehehehe)
junho 18, 2007
junho 10, 2007
Viagem...
Mais um texto de minha autoria. Escrito hoje, que pode vir a ser incluído num outro livro, se o houver... Mais um saído de um sonho, como quase todos os que escrevo... Comentem ;)
O tempo estava quente mesmo para um país Nórdico. A ideia de fazerem a viagem de férias à Noruega tinha sido inesperada. Com tantos destinos, ainda que todos mais virados para o cultural, esse país surgiu à última hora, mas acabou por agradar a todos.
O Hotel era um edifício alto, amplo, moderno e com vistas lindíssimas. Os quartos não se ficavam atrás, espaçosos, com janelas que ocupavam toda uma parede, com casa de banho privada.
Esta era a última noite que lá passavam. O regresso a casa estava marcado para o dia seguinte por volta das dez da manhã. Inês, Catarina e Joana não queriam perder a última oportunidade de se divertirem. Escolheram os vestidos mais ousados e glamorosos que tinham e desceram até ao bar do hotel. A gerência tinha organizado uma festa nesse espaço para essa mesma noite, após o jantar.
Na sala encontravam-se já Diogo e Pedro, vestidos a rigor, de fato, ocupando uma mesa. Elas aproximaram-se e ocuparam os restantes lugares.
Já tinha passado um mês desde que Inês e Diogo se tinham afastado. Ele pedira-lhe um tempo para pensar, para reflectir sobre o que queria fazer da sua vida, argumentando que enquanto não estivesse bem com ele mesmo, não conseguiria estar bem com mais ninguém. Ela respeitou a sua vontade, conferindo-lhe o tempo que ele necessitasse para voltar a sentir-se bem, mas deixou claro que não desistiria dos seus sentimentos, do enorme amor que sentia por ele. No fundo, algo lhe dizia que também ele a amava como ela o amava, apenas a confusão lhe toldava a visão de tudo. Mas esta noite ele estava ali, sorridente, descontraído, lindo... Era difícil agir como apenas amiga quando o coração lhe gritava outra coisa. Ele também não ficou indiferente à produção de Inês, do vestido longo, sem costas, a maquilhagem subtil e proporcionada, realçando-lhe os olhos.
Os cinco amigos falaram, dançaram, beberam. Ainda não era muito tarde, talvez passasse um pouco da meia noite, mas os hóspedes começaram a retirar-se para os seus quartos.
Embora estivessem no mesmo piso, as raparigas tinham ficado no quarto dez, com vista para o rio; aos rapazes fora-lhes atribuído o quarto sete, quase paralelo ao das raparigas. Despediram-se no corredor antes de entrarem cada um para os seus respectivos quartos. Inês demorou o seu olhar, fixando os olhos de Diogo. Por fim entraram.
O quarto apresentava uma claridade estranha, mas natural. Inês acercou-se da janela observando o rio, as luzes da cidade, um pouco mais distantes, o céu...
Joana chamou-lhe a atenção começando a entoar uma musica que seguidamente começou a dar no leitor de CDs, não se fazendo rogada, começou a dançar, levando as amigas a seguirem-lhe os passos. O riso imperava e os passos arrojados enchiam o quarto. Ninguém deu pela entrada de Diogo, que ficou à porta a admirar a cena, perdido de riso. Sem que Inês repasse, ele fez sinal a Joana e Catarina para que saíssem por momentos. Foi aí que Inês o viu. Continuava com as calças e a camisa do fato. Estava lindo, charmoso, um verdadeiro predador. Já não sorria, estava sério, mas não no sentido grave, antes com a expressão de quem quer tomar uma decisão, mas precisa de uma base de apoio, de uma confirmação da outra parte. Avançou até ela, que se tinha virado entretanto para olhar novamente o rio, e enlaçou-lhe a cintura, apoiando o seu queixo no ombro dela. O coração de Inês disparou, não sabendo ao certo o que depreender do gesto.
- Adoro esta vista. – Não sabendo que mais dizer optou por um comentário banal, mas continuava tensa.
- Inês, eu...
Não teve tempo de concluir a frase. Inês voltara-se para ele, olhando-o nos olhos. As mãos dele continuavam na sua cintura. Ela estava tão próxima, a sua fragrância fresca enebriava-o, mas tinha medo que ela não lhe desse a confirmação de que necessitava. Tinha de correr o risco, apostar no que sentia e levar a cabo o que lá tinha ido fazer.
Aproximou lentamente a sua face da dela, viu-a começar a fechar os olhos, aproximou-se, então, um pouco mais até que os seus lábios se tocaram. Um toque leve, suave, doce, uma pressão quase imperceptível, mas que fez correr o sangue nas veias de ambos. Inês esperava por aquele momento há semanas, mas não tinha havido qualquer oportunidade. O beijo alongou-se, um pouco mais de pressão, um pouco mais de sentimento. Perderam-se no tempo e no espaço. A frustração acumulada e os sentimentos retidos soltaram-se por fim. Da gentileza passaram à paixão ardente que os consumia. Desenvencilharam-se da roupa, que se tornara um obstáculo. O importante, o essencial naquele momento, era sentirem-se um ao outro. Era o toque de pele com pele, era acalmar o forte desejo que os consumia. Trancaram a porta e já não havia qualquer barreira que os separasse. Amaram-se com uma intensidade que nem Inês nem Diogo se lembravam de alguma vez ter acontecido. Sorveram cada pedaço de corpo um do outro, era como se não existisse um amanhã. No entanto, apesar da pressa e do fogo da paixão, Diogo mostrava-se um amante doce, meigo, apaixonado. Essa combinação levou Inês bem perto das lágrimas quando atingiu o clímax ao mesmo tempo que ele. Desta vez não eram lágrimas sofridas, amargas, desesperadas como as que tinha chorado durante quase um mês. Eram, antes, lágrimas de felicidade, de libertação. Ficaram abraçados, ele ainda dentro dela, em silêncio. Não eram precisas palavras. O acto em si tinha sido mais que revelador. Amavam-se, e o certo era acreditar nesse sentimento e seguir em frente. A amizade nunca se perdera, era preciso agora preservar o que tinham conquistado de novo. Lentamente arrastaram-se para o presente, para o quarto em que estavam. Vestiram-se e beijaram-se novamente. Outra vez como amantes que eram, como casal que eram. Não foram murmuradas promessas, bastava um olhar e estava tudo lá. Encontrar-se-iam novamente de manhã, para voltarem para casa. Agora era tempo de dormir, de sonhar.
Milene Emídio
imagem: Liquid Fire, de Cristina Ortega (pormenor)
O tempo estava quente mesmo para um país Nórdico. A ideia de fazerem a viagem de férias à Noruega tinha sido inesperada. Com tantos destinos, ainda que todos mais virados para o cultural, esse país surgiu à última hora, mas acabou por agradar a todos.
O Hotel era um edifício alto, amplo, moderno e com vistas lindíssimas. Os quartos não se ficavam atrás, espaçosos, com janelas que ocupavam toda uma parede, com casa de banho privada.
Esta era a última noite que lá passavam. O regresso a casa estava marcado para o dia seguinte por volta das dez da manhã. Inês, Catarina e Joana não queriam perder a última oportunidade de se divertirem. Escolheram os vestidos mais ousados e glamorosos que tinham e desceram até ao bar do hotel. A gerência tinha organizado uma festa nesse espaço para essa mesma noite, após o jantar.
Na sala encontravam-se já Diogo e Pedro, vestidos a rigor, de fato, ocupando uma mesa. Elas aproximaram-se e ocuparam os restantes lugares.
Já tinha passado um mês desde que Inês e Diogo se tinham afastado. Ele pedira-lhe um tempo para pensar, para reflectir sobre o que queria fazer da sua vida, argumentando que enquanto não estivesse bem com ele mesmo, não conseguiria estar bem com mais ninguém. Ela respeitou a sua vontade, conferindo-lhe o tempo que ele necessitasse para voltar a sentir-se bem, mas deixou claro que não desistiria dos seus sentimentos, do enorme amor que sentia por ele. No fundo, algo lhe dizia que também ele a amava como ela o amava, apenas a confusão lhe toldava a visão de tudo. Mas esta noite ele estava ali, sorridente, descontraído, lindo... Era difícil agir como apenas amiga quando o coração lhe gritava outra coisa. Ele também não ficou indiferente à produção de Inês, do vestido longo, sem costas, a maquilhagem subtil e proporcionada, realçando-lhe os olhos.
Os cinco amigos falaram, dançaram, beberam. Ainda não era muito tarde, talvez passasse um pouco da meia noite, mas os hóspedes começaram a retirar-se para os seus quartos.
Embora estivessem no mesmo piso, as raparigas tinham ficado no quarto dez, com vista para o rio; aos rapazes fora-lhes atribuído o quarto sete, quase paralelo ao das raparigas. Despediram-se no corredor antes de entrarem cada um para os seus respectivos quartos. Inês demorou o seu olhar, fixando os olhos de Diogo. Por fim entraram.
O quarto apresentava uma claridade estranha, mas natural. Inês acercou-se da janela observando o rio, as luzes da cidade, um pouco mais distantes, o céu...
Joana chamou-lhe a atenção começando a entoar uma musica que seguidamente começou a dar no leitor de CDs, não se fazendo rogada, começou a dançar, levando as amigas a seguirem-lhe os passos. O riso imperava e os passos arrojados enchiam o quarto. Ninguém deu pela entrada de Diogo, que ficou à porta a admirar a cena, perdido de riso. Sem que Inês repasse, ele fez sinal a Joana e Catarina para que saíssem por momentos. Foi aí que Inês o viu. Continuava com as calças e a camisa do fato. Estava lindo, charmoso, um verdadeiro predador. Já não sorria, estava sério, mas não no sentido grave, antes com a expressão de quem quer tomar uma decisão, mas precisa de uma base de apoio, de uma confirmação da outra parte. Avançou até ela, que se tinha virado entretanto para olhar novamente o rio, e enlaçou-lhe a cintura, apoiando o seu queixo no ombro dela. O coração de Inês disparou, não sabendo ao certo o que depreender do gesto.
- Adoro esta vista. – Não sabendo que mais dizer optou por um comentário banal, mas continuava tensa.
- Inês, eu...
Não teve tempo de concluir a frase. Inês voltara-se para ele, olhando-o nos olhos. As mãos dele continuavam na sua cintura. Ela estava tão próxima, a sua fragrância fresca enebriava-o, mas tinha medo que ela não lhe desse a confirmação de que necessitava. Tinha de correr o risco, apostar no que sentia e levar a cabo o que lá tinha ido fazer.

Aproximou lentamente a sua face da dela, viu-a começar a fechar os olhos, aproximou-se, então, um pouco mais até que os seus lábios se tocaram. Um toque leve, suave, doce, uma pressão quase imperceptível, mas que fez correr o sangue nas veias de ambos. Inês esperava por aquele momento há semanas, mas não tinha havido qualquer oportunidade. O beijo alongou-se, um pouco mais de pressão, um pouco mais de sentimento. Perderam-se no tempo e no espaço. A frustração acumulada e os sentimentos retidos soltaram-se por fim. Da gentileza passaram à paixão ardente que os consumia. Desenvencilharam-se da roupa, que se tornara um obstáculo. O importante, o essencial naquele momento, era sentirem-se um ao outro. Era o toque de pele com pele, era acalmar o forte desejo que os consumia. Trancaram a porta e já não havia qualquer barreira que os separasse. Amaram-se com uma intensidade que nem Inês nem Diogo se lembravam de alguma vez ter acontecido. Sorveram cada pedaço de corpo um do outro, era como se não existisse um amanhã. No entanto, apesar da pressa e do fogo da paixão, Diogo mostrava-se um amante doce, meigo, apaixonado. Essa combinação levou Inês bem perto das lágrimas quando atingiu o clímax ao mesmo tempo que ele. Desta vez não eram lágrimas sofridas, amargas, desesperadas como as que tinha chorado durante quase um mês. Eram, antes, lágrimas de felicidade, de libertação. Ficaram abraçados, ele ainda dentro dela, em silêncio. Não eram precisas palavras. O acto em si tinha sido mais que revelador. Amavam-se, e o certo era acreditar nesse sentimento e seguir em frente. A amizade nunca se perdera, era preciso agora preservar o que tinham conquistado de novo. Lentamente arrastaram-se para o presente, para o quarto em que estavam. Vestiram-se e beijaram-se novamente. Outra vez como amantes que eram, como casal que eram. Não foram murmuradas promessas, bastava um olhar e estava tudo lá. Encontrar-se-iam novamente de manhã, para voltarem para casa. Agora era tempo de dormir, de sonhar.
Milene Emídio
imagem: Liquid Fire, de Cristina Ortega (pormenor)
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