dezembro 23, 2016


Votos de excelentes festas!
Divirtam-se, amem, sejam felizes e façam outras pessoas felizes. :)

agosto 21, 2016

Visita à Casa Assombrada

Muitos de vós sabem o quão fascinada sou pela temática paranormal.
Não podia, por isso, deixar passar em branco a minha visita à Casa Assombrada, em Belas - projecto levado a cabo pelo grupo Teatro Reflexo.



Quero agradecer, desde já, às minhas companheiras de aventura: Ana V. Ramos, Andreia Maldonado e Diana Miranda - ADORO-VOS! ^_^


Ainda dentro dos agradecimentos, gostaria de referir o profissionalismo e simpatia de TODA a equipa do Teatro Reflexo.
Desde o primeiro momento que fomos brindados por uma senhora muito simpática na bilheteira, que nos deixou à vontade e teve um gesto muito querido para com a nossa mamã (Ana Ramos), visto o seu bebé estar adoentado. Não, não obtivémos qualquer livre-passe no que toca a levar telemóveis ligados para dentro da casa - regras são regras - mas ficámos muito mais descansadas sabendo que seríamos contactadas o quão breve possível, em caso de necessidade. Depois a todo o restante staff que, entre brincadeiras, explicação das regras e tudo o mais, foi sempre fantástico.

No que respeita à visita em si, e sem levantar demasiado o véu (ou deveria dizer o lençol?), por motivos óbvios (existem ainda visitas a decorrer até Outubro e não queremos estragar a surpresa para quem lá vai, correcto?), o que podemos dizer?

Podemos com toda a certeza afimar que o medo é, sem sombra de dúvida, psicológico.
Chegámos a Belas por volta das 21h30, meia hora antes da sessão que nos era destinada (a das 22h), como ditam as regras. Entre brincadeiras sobre a casa e as reviews que tinhamos lido na página de Facebook destre projecto, lá passámos o portão do imponente palacete de estilo neoclássico datado do século XIX (mais concretamente 1863). Os restantes elemento que perfaziam o grupo de 9 pessoas chegaram pouco depois. Ainda na bilheteira foram-nos dadas algumas indicações do que se iria passar e as frases que precisávamos ter em memte para duas situações distintas - em caso de querermos desistir e em caso de termos problemas técnicos com os nossos audioguias.


Em seguida fomos encaminhados para a primeira sala onde outro membro do staff nos aguardava para nos entregar os audioguias e explicar parte do trajecto. A ansiedade começou a mostrar-se, primeiramente porque estávamos a uma mera porta de iniciar a sequência de salas onde encontramos o medo, ou onde o medo nos encontra a nós, e em segundo lugar porque nos foi dito que tínhamos de nos separar em grupos de 3. Ora, se naturalmente gostamos de estar perto das pessoas que conhecemos e com quem nos damos, numa situação destas não queremos abandonar um membro que seja do grupo. Mais uma vez, regras são regras.

A primeira parte da experiência decorre no piso térreo da casa, em que cada grupo de 3 pessoas entra à vez na primeira sala (com um diferencial de cerca de 5 minutos para o grupo seguinte). A ideia é explocar cada uma das salas em busca de pistas que vão ser determinantes para encontrar a saída da propriedade no final da experiência.

A segunda parte decorre no 1º piso da casa (a ala dos criados, na altura), em que o grupo se reune novamente (os 9 elementos) para debater as pistas encontradas. Existem 11 quartos ao todo neste piso e, embora estejamos todos reunidos, é-nos solicitado que entremos cada um num quarto diferente. Ao todo, cada elemento do grupo terá oportunidade de abrir 5 portas. Cada quarto terá uma experência diferente, níveis de terror diferentes e podem ou não conter pistas. Para os mais fracos de coração também existe uma opção.

Se no final destas duas fases o grupo tiver as pistas reunidas e conseguir fazer uso delas, não terá qualquer problema e passar à fase final - o jardim. Caso não as tenham ou não consigam interpretar as mesmas... não faço ideia do que acontece - nós conseguimos! :)

Em suma, considero que o projecto está muito bem construído. Os actores estão lindamente caracterizados, a história é excelentemente bem contada.
As histórias da casa, a sua arquitectura, os jogos de luzes e sombras que cada recanto tem foram todos muito bem estudados. É impressionante como os actores se conseguem fundir com as sombras, e estar nos lugares mais inesperados. Se pensamos que vai ser previsível... não vai! E por muito que possamos repetir para nós mesmos que é apenas uma casa, que são apenas actores, jogos de luzes, etc... Certo é que a dada altura (e aqui posso apenas falar por mim e da minha experiência) o actor passa a ser visto como a ameaça que vem na nossa direcção, e em vez de relativizarmos e dizermos "é um actor, não te vai tocar", o cérebro  depreende apenas "perigo! mantém contacto visual para conseguires ou ripostar, ou fugir antes que te apanhe".

Os meus parabéns a todos envolvidos neste projecto. Foi uma experiência fantástica, descobri que sou mais medricas do que pensava (o segundo piso para mim foi... digamos que coragem a dois é muito mais giro do que ter de enfrentar salas escuras sozinha).

P.S. Os meus agradecimentos ao palhaço (não é um termo ofensido, era mesmo um actor vestido de palhaço creepy - daqueles que metem medo!!!!) que nos brindou com uma visita quando o grupo ja estava reunido com a última pista - consegui não entrar no quarto onde ele estava, mas alguém lhe disse que eu haveria de gostar de o ver... (Ana Ramos... isto merece retaliação).


Para os que ainda tencionam visitar a casa e testar os seus medos, o projecto vai estar neste palacete em Belas até ao final de Outubro deste ano. As inscrições abrem a dia 15 de cada mês para o mês seguintes. Neste momento estão a decorrer as marcações para Setembro. Aproveitem porque esgota rapidamente! Podem consultar mais informações aqui.

ME

julho 31, 2016

Regresso... 3 anos depois

Já lá vão três anos desde que voltei ao blogger, após uma longa ausência e uns episódios atribulados (ora a página existia, ora deixava de existir, mudança de blog para outro servidor e... same old problem).

Desta vez espero ficar um pouco mais e escrever um pouco mais do que apenas uma "come back message".
Hoje decidi voltar a tentar a sorte com as editoras... Nothing major. Enviei o manuscrito (ou parte dele, num dos casos) para duas editoras, agora é esperar (e rezar... visto que, sendo fantasia, pequenito... sim, eu sei, há que ser optimista).

Relativamente a este blog, ao contrário do que aconteceu desde a sua criação, vai ser uma plataforma mais ampla. Assim que o meu computador ressuscitar e eu conseguir recuperar todas as fotos de viagens que fiz, espero conseguir fazer umas quantas publicações sobre os destinos que tenho visitado desde 2009, mostrar-vos um bocadinho do que me tem fascinado, dar-vos preços (porque não? Podem querer ir lá e assim já sabem de antemão com o que contar), e quiçá curiosidades ou histórias desses lugares.

Podem também acompanhar-me na minha página oficia de Facebook  - https://www.facebook.com/MilenEmidio/

Confesso que também não a tenho actualizado tanto quanto devia / gostaria, mas espero mudar esse pormenor em breve (tal como o estou a fazer com este blog).

Babysteps... é o que estou a dar neste momento, a ver se volto a ficar em forma.

Um grande abraço a todos vocês. :)
ME

maio 26, 2013

Regresso...

E eis que passados três anos estou de volta a esta casa.
O blog que tinha anteriormente pura e simplesmente desapareceu (parece que de vez mesmo, sem aviso prévio), enquanto este nunca chegou a ser desactivado. Assim sendo, reaproveitei e actualizei a estrutura e agora, com tempo, a ver vamos, se também o faço com o conteúdo.

Aos que sempre estiveram desse lado, o meu muito obrigada =)

novembro 15, 2010

Conversas Fantásticas (2)

Car@s,

O dois não significa o número do evento, serve simplesmente para que no índice não haja confusão com títulos iguais.
De volta para actualizar este espaço, desta feita, com o relato do evento de ontem.

Antes de mais, quero deixar o meu profundo agradecimento ao Samuel Pimenta, autor do Heros - O Escolhido, por se ter lembrado de mim e do Fábio Ventura (saga Orbias) para o acompanharmos nesta iniciativa. Em segudo lugar, um enorme obrigada à Fnac de Alfragide e à Vanda (responsável de Comunicação) pela oportunidade, pela calorosa recepção e por nos terem dado carta branca e o tempo necessários durante o evento. Sem pressas, sem pressões, profissionalismo e simpatia ao máximo.
Agradecer aos meus colegas de mesa já referidos, Samuel e Fábio, pela vossa amizade (mas isso vocês já sabem) e pelo vosso apoio, estiveram lá em cada momento (já que era eu a estreante nestas andanças), auxiliaram-me quando a palavra teimava em sair, deram-me directrizes quando necessário e amenizaram os meus nervos iniciais. E por fim, mas não menos importante, um muito obrigada a tod@s @s que se deslocaram à Fnac de Alfragide nesta tarde soalheira de domingo e que tão atentamente nos ouviram e entusiasticamente participaram na tertúlia connosco. Sem vocês o evento não teria sido possível, estanto, mas não participando, o evento não teria metade do encanto que teve. Foi perfeito. ADORO-VOS. =)

Quanto às conversas passaram pela apresentação das 3 obras presentes (ou deverei dizer duas, porque a minha estava ausente... OK, posso dizer que estava presente em espírito), uma explicação sumária do sub-género em que se inseriam, as inspirações, os métodos de escrita, as influências, os problemas de se ser autor de ficção em português e em Portugal, as editoras, a promoção / marketing. Enfim, uma catadupa de temas abordados de forma ligeira, aprofundados aquando as questões do público, com algum sentido de humor pelo meio, numa conversa politicamente correcta (ou quase).

Ficam agora algumas imagens de uma tarde inesquecível.
Uma vez mais, obrigada a tod@s.

Um abraço,
Milene Emídio



novembro 06, 2010

Conversas Fantásticas

Car@s,

É com enorme prazer que actualizo este cantinho com uma novidade que para alguns de vós já não o é, mas ainda assim...
Dia 14 de Novembro, domingo, vai realizar-se na FNAC de Alfragide (Centro Comercial Allegro) uma tertúlia sobre literatura fantástica, mais concretamente, literatura fantástica em português. O evento vai contar com três oradores e tem início pelas 16 horas.
Espero poder contar com a vossa presença e, acima de tudo, a vossa participação ;)







Oradores:
Samuel Pimenta,  Heros, O Escolhido
Fábio Ventura, Orbias - As Guerreiras da Deusa / Orbias - O Demónio Branco
Milene Emídio, O Vestido








Mais informações em FNAC ou em Facebook Eventos.

Lá vos espero! ;)

Abraços,
Milene Emídio

outubro 02, 2010

Banda Sonora

Car@s,

Serve o presente para anunciar a conlusão da primeira fase da minha segunda história, O Feitiço da Moura. A partir de agora é passar a limpo todo o material, compilar por ordem, limar arestas, melhorar o texto, rever para evitar repetições, erros, dissonâncias, etc e depois sim, partir em busca de editora.

Não queria, no entanto, deixar passar esta fase sem antes vos dar a conhecer a lista completa de músicos e temas que acompanharam este longo processo (foram 3 anos, não necessariamente completos - houve grandes pausas pelo meio por diversos motivos). Espero que gostem e, fica a sugestão, porque não aproveitar para compilarem estes nomes para que, assim que tiverem a história convosco, poderem acompanhar a vossa leitura ao som das melodias que inspiraram as palavras ou, pelo menos, ajudaram a apurá-las...

Um Abraço,
Milene Emídio


Edvin Marton - Art on Ice
Emilie Autumn - Misery Loves Company
Enigma - Gravity of Love
Enigma - Sadness
Epica - Phantom Agony
Eurhythmics - Miracle of Love
Gregorian - Before the Dawn
Gregorian - Moment of Peace
Jewel - Foolish Games
Lene Marlin - It’s True
Lene Marlin - Maybe I’ll Go
Loreena McKennit - La Serenissima
Loreena McKennit - Samain Night
Loreena McKennit - Santiago
Loreena McKennit - Tango to Evora
Loreena McKennit - The Dark Night of the Soul
Loreena McKennit - The Mummer’s Dance
Loreena McKennit - The Mystic’s Dream
Loreena McKennit - The Old Ways
Sarah Brightman - Fleurs du Mal
Secret Garden - Celebration
Secret Garden - Dawn of a New Century
Secret Garden - Greenwaves
Secret Garden - Prayer
Stream of Passion - The Art of Loss
Tragic Comic - Deepest Coma
Tragic Comic - SR

agosto 27, 2010

Dreaming of Zaïda

Car@s, há já algum tempo que não actualizava o Blog e, consequentemente as novidades relativamente aos meus escritos. Deixo-vos hoje com mais um capítulo integrante d'O Feitiço da Moura (ainda por terminar).

Espero que gostem.
Comentem ;)
*******************

O espaço à sua volta era desconhecido. Via muralhas de pedra à sua frente, algumas torres que, de acordo com a sua orientação, marcavam os pontos cardeais e, atrás de si, tinha a maior de todas que deduziu tratar-se da área habitacional do castelo.

Manteve-se na sombra, encostada a um canto, encoberta por uma carroça de madeira carregada com feno. Olhou com mais atenção, todo o espaço e indumentárias lhe eram estranhas – reconhecia-as historicamente, mas nunca antes sonhara com elas. Observou pormenorizadamente o que a rodeava. Havia homens com túnicas e calças largas, cintos de pele de onde pendiam espadas longas e de lâmina curva, alguns punhais aparentemente bem afiados, e tinham, na sua maioria, turbantes e um ar feroz. A pele curtida pelo sol sobressaía sob as vestes de tons claros. O sol estava quente e do chão elevavam-se ondas de calor que distorciam um pouco a paisagem. Quase não se viam mulheres.

Perguntou-se o que a levara ali. A sua própria roupa não era muito diferente, uma túnica branca, larga e comprida, totalmente opaca, sendo que o único adorno era uma espécie de bordado tosco em redor do colarinho arredondado. Também ela tinha um pano sobre o cabelo, com a diferença que o seu não se limitava a tapar a farta cabeleira ruiva, enrolava-se ainda ao seu pescoço para que nenhum pedaço pele indevido fosse exposto aos olhos dos demais. Apenas a cara e as mãos estavam a descoberto.

Continuava sem perceber o propósito de tudo aquilo. Uma pequena vibração no ar fê-la virar-se para o seu lado direito a tempo de ver outra figura feminina esgueirar-se pela sombra até ao canto oposto àquele em que se encontrava. A sua movimentação parecia-lhe suspeita pela forma cuidadosa como se tentava fundir com as sombras e com a própria pedra da parede. Vestia-se de modo semelhante ao seu, mas em tons castanho-claro. Uma mecha de cabelo negro conseguira escapar-se ao lenço que lhe cobria a cabeça, tapando também parcialmente o rosto.

Tentando passar despercebida, deslizou junto à parede e seguiu a outra mulher. Alguns metros à frente a figura desapareceu numa entrada obscurecida. Quando atingiu o ponto onde lhe perdera o rasto verificou que o corredor se bifurcava em duas passagens húmidas, fracamente iluminadas por tochas bastante espaçadas umas das outras. Virou-se para se certificar que não fora seguida. A entrada permanecia deserta e os sons exteriores mantinham-se afastados e abafados pela espessura da pedra que a rodeava. O seu instinto dizia-lhe que optasse pelo corredor à sua direita. Não havia qualquer som que denunciasse o caminho da sua antecessora. Uma voz dentro da sua cabeça insistia nesse mesmo corredor. Inês aprendera a não ignorar as vozes que lhe sussurravam em sonhos. Deu um passo em frente e soube que estava certa. O chão estava parcialmente coberto de palha, já bastante pisada, o que permitia caminhar mais rapidamente sem causar ruído. Avançou até chegar à boca do túnel onde o espaço se abria para uma sala ampla com diversas reentrâncias e grades. Calculou encontrar-se nas masmorras. No mesmo instante em que se ia pôr a descoberto reparou na figura vestida de castanho-claro encostada às pesadas barras de ferro da cela mais ocidental da sala. Manteve-se na penumbra do corredor e tentou ouvir o que ela dizia à pessoa cativa. O som chegava-lhe sussurrado e com uma ligeira reverberação.

- Ao cair da noite. É a única forma. Há um túnel que segue directamente até ao bosque, bem para lá das muralhas exteriores.

- Zaida, não! – Inês estacou ao ouvir a voz. Reconhecê-la-ia onde quer que fosse. – Não te vais arriscar por mim.

- Condenei-me no preciso momento em que me permiti olhar para ti, não me faças sofrer mais ficando aqui cativo. Sabes o que te espera se não fugires.

- Se o fizer, o teu pai vai perceber que não foi falha dos seus homens, o castelo está bem guardado e não há escapatória possível a menos que haja alguém que a permita.

- Não me importa, não quero que morras aqui! – Zaida estava ajoelhada no chão de pedra, as suas mãos agarradas às grades que prendiam o cavaleiro.

Inês assistia atónita pela imagem que agora vislumbrava do homem cativo. Diogo afagava as mãos da mulher à sua frente de forma terna. Não compreendia a ligação da sua alma gémea com aquela desconhecida. Pensara ser impossível haver um laço tão forte como aquele que partilhava com ele, mas apercebia-se agora que não. A menos que aquele cavaleiro não fosse Diogo. Ela estava ali por um motivo, mas não pertencia de todo àquela época. Ponderou se ele podia estar na mesma situação, se o afastamento que sentira nele nas últimas semanas teria algo a ver com o que agora presenciava.

- Estarei aqui após o jantar. Temos pouco tempo para percorrer o túnel e deixar-te a salvo antes de o guarda ser rendido. – Levantou-se e voltou a cobrir o rosto.

Inês teve apenas escassos segundos para percorrer o caminho de volta até à bifurcação onde se ocultou pela curvatura natural da parede para evitar ser vista. Não se atreveu a regressar à cela. Iria aguardar pelo cair da noite para segui-los até ao ponto de fuga. Esperou um pouco mais até ter a certeza que seria seguro voltar para o pátio e procurou os estábulos para se esconder. Pela posição do sol calculou que ainda faltassem umas três horas para o crepúsculo. Pegou numa escova e num pequeno banco tosco de madeira e dirigiu-se à divisória mais afastada da porta onde se encontrava uma égua de pelo negro com uma pequena mancha branca em forma de crescente, ligeiramente acima dos olhos. Escovou-a afagando-lhe o pescoço. O animal mostrava-se extremamente dócil. A tarefa acalmou-lhe o espírito ajudando-a a organizar as ideias. Ela estava ali por um motivo, depreendia agora que o motivo estava directamente ligado a Diogo. Não tinha a certeza sobre a época, mas calculou que fosse um período relacionado com a ocupação árabe na Península Ibérica. O seu pensamento voou para a lenda do projecto em que estava envolvida. Poderia a rapariga que vira ser Zaida, a filha do alcaide do castelo da Serra?

O sol continuava a descer na linha do horizonte. As tochas começaram a ser acesas por dois jovens ao longo de todo o pátio e em alguns pontos da muralha interior.

Escovou a crina da égua uma vez mais pousando a mão no focinho do animal.

- Está na hora. – murmurou enquanto pousava o utensílio no banco de madeira.

Esgueirou-se sorrateiramente dos estábulos em direcção às masmorras deixando-se ficar no lado oposto à entrada, aproveitando o monte de feno para se esconder da vista dos demais. Não teve de esperar muito para ver a silhueta feminina surgir das sombras causadas pela tocha que iluminava o corredor da muralha logo acima da sua cabeça. Estava envolta num manto cinzento e movia-se tão silenciosamente que nem os poucos guardas presentes no pátio deram pela sua presença. Aguardou um pouco mais. Não tinha a certeza se Diogo iria sair pelo mesmo caminho. Deveria ter averiguado o túnel da esquerda durante a tarde. A dúvida insistia em martelar-lhe o cérebro. Não sabia se devia seguir a jovem ou aguardar simplesmente. Corria o risco de lhes perder o rasto se esperasse muito mais.

A temperatura arrefecera consideravelmente com o cair da noite. Levantara-se uma leve bruma que conferia ao castelo uma aparência etérea à luz bruxuleante dos archotes com a forte humidade a orvalhar os arbustos e árvores em seu redor.

Como que impelida por uma força invisível cobriu o cabelo e o rosto da melhor forma possível e dirigiu-se aos túneis. Manteve-se atenta a toda e qualquer oscilação de luz ou ar enquanto tentava fundir-se com a parede. Avançou até à bifurcação e apurou o seu ouvido. Nada. Silêncio absoluto. A luz também não tinha qualquer indicação de movimento causado pela passagem de uma pessoa quer por uma corrente de ar.

No preciso momento em que decidiu avançar pelo caminho que a levaria às celas, ouviu um som vindo do corredor oposto seguido de um silêncio surdo. Provavelmente alguém tinha pisado um galho caído fazendo com que este se quebrasse, sendo o som amplificado pelo eco causado pelas paredes de pedra. Não perdeu tempo e seguiu o caminho à sua esquerda serpenteando pelo túnel fracamente iluminado. Só quando vislumbrou a capa cinzenta a desaparecer um pouco mais à frente se apercebeu que não podia ser vista. Acautelou-se estugando o passo e tentando esconder-se nas poucas saliências da construção. O corredor desembocava num pátio circular onde se encontrava o portão de ferro de acesso à cisterna do castelo. À primeira vista não havia qualquer outra saída, à excepção do sítio por onde tinham entrado, mas Inês reparou na capa cinzenta a desaparecer por entre as pedras no lado oposto ao do gradeamento da divisão. Avançou pé ante pé e espreitou pela abertura. Tratava-se de um corredor estreito, íngreme e escuro que parecia enterrar-se nas entranhas da serra. Inês não tinha qualquer fonte de luz consigo e o archote que a filha do alcaide levava ameaçava desaparecer da sua vista em segundos. Fechou os olhos para melhor se habituar à escuridão e seguiu o casal. Perdeu a noção do tempo, desceu a passo lento com receio de cair e, dessa forma, denunciar a sua presença.

O ar era húmido, frio e bafiento. A pedra à sua volta estava coberta de musgo e, possivelmente, com um abundante número de bicharocos que Inês nem queria imaginar, tão grande era a sua fobia por alguns insectos e seres rastejantes.

Uma fraca corrente de ar fez-se sentir. Devia estar próxima da saída do túnel. Estacou alguns metros antes. Pela densidade das árvores calculou estarem algures dentro do bosque que descia a encosta desde as muralhas exteriores até à vila. Diogo estava alguns metros à sua frente envergando a capa que minutos antes envolvia Zaida. Segurava-lhe ternamente no rosto, roçando o polegar pela maçã do rosto rubra.

- Não quero deixar-te. – Ouviu-o sussurrar.

- Tens de ir ou seremos encontrados e não serás o único a responder perante a fúria do meu pai. – Zaida tentou afastar-se como que para incitá-lo a partir. Diogo não o permitiu. Com a outra mão cingiu-lhe a cintura e colou-a a si cobrindo-lhe os lábios rosados com os seus. Um beijo profundo, apaixonado, de gratidão e de promessas. Queria selar o compromisso de voltar por ela, de reclamá-la como sua. Afastou-se relutantemente, ofegante e começou a correr pela serra desaparecendo no meio da vegetação.

Inês não reparara que estava a suster a respiração. Doía-lhe o peito, como se tivesse sido atingido mortalmente por uma flecha. Era um sonho, tinha de se convencer que era um sonho e não tinha de significar literalmente o que tinha visto. Podia ser apenas uma repercussão do seu subconsciente pelo afastamento que sentia da parte de Diogo misturado com a lenda que a acompanhava há meses por estar envolvida no projecto da sua amiga Leonor. Podia ser um simples sonho sem qualquer significado. Podia… Deu por si em completa negação. Os seus sonhos nunca eram casuais, não quando tinha plena consciência de os estar a viver. Voltou a olhar para a saída e já lá não estava a figura feminina, tinha simplesmente desaparecido. Não a vira regressar ao túnel, teria de passar directamente por si, teria sido descoberta. Arrepiou-se, por isso, quando sentiu uma respiração directa no seu pescoço ao mesmo tempo que a pessoa atrás de si lhe dizia:

- Esquece-o! Ele é meu! Sempre foi e voltará a ser. Não tentes sequer intrometer-te, a menos que queiras lidar com as consequências.

Virou-se assim que conseguiu vencer o torpor que se tinha apoderado do seu corpo. Não estava lá ninguém. Reconheceu a voz, ouvira-a diversas vezes ao longo do dia ou horas que ali passara. Era um timbre inconfundível. O comando subjacente nas suas palavras confirmava-lhe o pior dos receios. O sonho tinha uma forte razão de ser. Era um aviso claro que a lenda era mais real do que se pensava e o afastamento de Diogo estava intrinsecamente ligado à história da serra e do castelo. O pio agoirento de uma coruja fez-se ouvir perto demais. Inês correu pelo bosque. Queria sair daquele local, queria acordar… Depressa.


A luz do sol jorrava pela janela do seu quarto. Passou uma mão pelos olhos para clarificar a visão. Estava alagada em suor e lembrava-se de cada pormenor da sua noite agitada. Teria de investigar a lenda sob uma perspectiva diferente, teria de falar com Leonor, mas antes de mais, tinha de tomar um duche.

maio 14, 2010

O Feitiço da Moura - Sinopse

Car@s, aqui fica a sinopse (versão experimental, ainda) da minha mais recente criação: O Feitiço da Moura.


5 anos...
Um anseio ou até mesmo um sonho.
Quis o destino que se voltassem a encontrar, desta vez para desvendar uma lenda.
Quis a sorte que fossem novamente postos à prova.
Zaïda, uma moura encantada prisioneira da sua própria vontade, irá testar as capacidades de Inês e a força de vontade de Diogo.
Será o amor suficiente para quebrar um encantamento?
Será o próprio amor um feitiço?
Ou há simplesmente histórias que devem ser interrompidas para que o equilíbrio se restabeleça?


Abraços,
Milene Emídio

maio 09, 2010

Feira do Livro de Lisboa 2010

Car@s,

Como muit@s de vocês sabem, deixei de ter representação editorial relativamente ao conto O Vestido. No entanto, estive ontem na Feira do Livro com outros autores (e amigos e conhecidos e muita gente - sim, muita gente mesmo apesar da chuva que não parou de cair até às 16h30). Foi extremamente agradável ver e sentir o apoio, o carinho com que fui recebida e o interesse demonstrado por pessoas que ainda não me conheciam ou que tinham apenas ouvido falar. Devo dizer que estou mesmo MUITO feliz pelo dia de ontem e ainda mais por tê-lo podido partilhar com grandes amigos meus e com autores que, esses sim, já se começam a afirmar no panorâma literário português (e que acabaram por se tornar, também eles, meus amigos).

Um muito obrigada a todos os que compareceram na Feira debaixo da intempérie que se fez sentir; um grande abraço a todos os que queriam lá ter estado, mas que por motivos de força maior não pudram comparecer.

Deixo-vos agora com algumas fotos do dia =)

Abraços,
Milene Emídio