Aqui vos deixo uma das melhores músicas de sempre:
I Would Do Anything For Love - dos Meatloaf
And I would do anything for love, I'd run right into hell and back
I would do anything for love, I'll never lie to you and that's a fact
But I'll never forget the way you feel right now, oh no, no way
And I would do anything for love, but I won't do that, I won't do that
Anything for love, oh I would do anything for love
I would do anything for love, but I won't do that, oh I won't do that
Some days it don't come easy, and some days it don't come hard
Some days it don't come at all, and these are the days that never end
Some nights you're breathing fire, and some nights you're carved in ice
Some nights you're like nothing I've ever seen before or will again
Maybe I'm crazy, but it's crazy and it's true
I know you can save me, no one else can save me now but you
As long as the planets are turning, as long as the stars are burning
As long as your dreams are coming true, you better believe it
That I would do anything for love, and I'll be there til the final act
I would do anything for love, and I'll take a vow and seal a pact
But I'll never forgive myself if we don't go all the way tonight
And I would do anything for love, oh I would do anything for love
Oh I would do anything for love, but I won't do that, no I won't do that
I would do anything for love, anything you've been dreaming of
But I just won't do that (repeats 3x)
(Solo)
Some days I pray for silence, and somedays I pray for soul
Some days I just pray to the God of Sex and Drums and Rock 'N Roll
Some nights I lose the feeling, and some nights I lose control
Some nights I just lose it all when I watch you dance and the thunder rolls
Maybe I'm lonely and that's all I'm qualified to be
There's just one and only, the one and only promise I can keep
As long as the wheels are turning, as long as the fires are burning
As long as your prayers are coming true, you better believe it
That I would do anything for love, and you know it's true and that's a fact
I would do anything for love, and there'll never be no turning back
But I'll never do it better than I do it with you, so long, so long
And I would do anything for love, oh I would do anything for love
I would do anything for love, but I won't do that, no no no I won't do that
I would do anything for love, anything you've been dreaming of
But I just won't do that (repeats 7x)
But I'll never stop dreaming of you every night of my life, no way
And I would do anything for love, oh I would do anything for love
I would do anything for love, but I won't do that, no I won't do that
[Girl:] Will you raise me up, will you help me down?
Will you get me right out of this Godforsaken town?
Will you make it all a little less cold?
[Boy:] I can do that! I can do that!
[Girl:] Will you hold me sacred? Will you hold me tight?
Can you colorize my life, I'm so sick of black and white?
Can you make it all a little less old?
[Boy:] I can do that! Oh oh, now I can do that!
[Girl:] Will you make me some magic, with your own two hands?
Can you build an emerald city with these grains of sand?
Can you give me something I can take home?
[Boy:] I can do that! Oh oh now, I can do that!
[Girl:] Will you cater to every fantasy I got?
Will ya hose me down with holy water, if I get too hot?
Will you take me places I've never known?
[Boy:] I can do that! Oh oh now, I can do that!
[Girl:] After a while you'll forget everything
It was a brief interlude and a midsummer night's fling
And you'll see that it's time to move on
[Boy:] I won't do that! No I won't do that!
[Girl:] I know the territory, I've been around
It'll all turn to dust and we'll all fall down
And sooner or later, you'll be screwing around
[Boy:] I won't do that! No I won't do that!
Anything for love, oh I would do anything for love
I would do anything for love, but I won't do that, no I won't do that
junho 06, 2007
maio 28, 2007
Pura Magia
Mais um excerto de um dos meus textos, que já tem uns aninhos...
Evelyn subia a custo a encosta sul da montanha. Sabia que algures nas grutas viradas a norte encontraria o seu velho amigo Drake.
Drake era apenas alguns anos mais velho, no entanto, optara por refugiar-se na montanha para se concentrar única e exclusivamente na aprendizagem dos ramos mais altos da magia, queria tornar-se num verdadeiro mago. Há já cerca de cinco anos que Evelyn não o via, lembrava-se de como costumavam andar sempre juntos, partilhar segredos, passear nas longas tardes de verão, contudo, sabia que os olhos cinzentos do seu amigo escondiam algo, um segredo que não havia sido partilhado com ninguém, nem mesmo com ela – a sua melhor amiga.
O sol já descrevera grande parte do seu ciclo, encontrando-se relativamente perto da linha do horizonte, o céu apresentava tons rosa e laranja, a brisa soprava morna, vinda de Este. A caminhada era longa, mas Evelyn estava decidida e nada no mundo a faria mudar de ideias. Por fim avistou as reentrâncias no cimo da montanha, ele havia de estar numa das grutas, restava saber em qual.
A luminosidade era cada vez mais fraca, do sol já pouco ou nada se via, as grutas eram húmidas e escuras. Uma a uma, cada reentrância foi alvo dos olhos curiosos da rapariga, até que numa delas, Evelyn viu uns olhos estranhos que a fixavam e sentiu também um bafo quente. Não conseguiu ter qualquer reacção, as suas pernas tremiam, o seu coração parecia querer saltar-lhe do peito, a cabeça andou à roda e perdeu os sentidos.
Ao reabrir os olhos sentiu-se dorida, estava deitada numa cama de ervas e coberta por uma pele de urso. A visão ainda se encontrava algo desfocada; passou as mãos pelos olhos para a aclarar, quando as retirou viu a figura de um homem que lhe sorria e lhe estendia uma chávena de qualquer coisa fumegante.
- Há quando tempo, Evy! Estavas com melhor aspecto da última vez que te vi! – proferiu em tom jocoso. – Que te trás por cá?
A rapariga apercebeu-se que o homem que se encontrava sentado ao seu lado era nem mais nem menos que Drake, o seu amigo. Estava diferente, mais velho – não apenas pelos cinco anos que tinham passado… as suas feições permaneciam agradáveis, mas estavam mais duras, tinha um ar mais adulto, mais maduro. Sem dar por isso, Evelyn corou ao olhar para Drake. A última vez que o tinha visto era apenas um rapaz, agora tornara-se num homem charmoso e misterioso.
- Quero aprender magia! – disse.
- Evy, estás cansada. Da aldeia até aqui ainda é longe. Levaste um grande susto… Acabaste de recuperar os sentidos.
- Quero aprender magia, Drake! Não percorri todo este caminho para me tentares dissuadir! Sei o que quero e se não for contigo, que és o meu melhor amigo, há-de ser com outro mestre que me aceite! – E dito isto, cruzou os braços em frente do peito.
- Evy, porquê magia? Porquê eu? Porquê agora?
- Para quem se tornou mago, já devias ter calculado a resposta… – retorquiu, olhando-o de lado. – Pois bem, porquê magia, há muito que queria aprender. Desde os tempos em que me falavas de tudo o que esperavas tornar-te, o que tinhas de estudar… Porquê tu?, porque és o meu melhor amigo e sinto que me podes iniciar. Porquê agora?, foi como que um chamamento… Algo me disse que tinha de vir.
- Tu sabes o que viste quando aqui chegaste? – Ao perguntar, Drake desviou o olhar da rapariga, acto que chamou a sua atenção.
- Apenas uns olhos estranhos… senti também um bafo quente… – Reparava agora que os olhos cinzentos do seu amigo estavam mais misteriosos que antes, sabia que ele lhe ia contar algo de que ela não ia gostar, muito provavelmente.
- Era um dragão Evy. Eu sou um dragão.
A primeira reacção de Evelyn teria sido rir-se caso o ar triste e sério de Drake não a tivesse levado a acreditar no que acabava de dizer.
(...)
Por fim chegaram à clareira, tudo era paz e tranquilidade naquele espaço. Não muito longe corria o rio, o murmurar das suas águas puras e cristalinas fazia-se ouvir como uma doce melodia numa tarde de final de primavera. Evelyn tratou de colocar cada objecto no seu devido local e refugiou-se atrás de um grande carvalho para mudar de roupa. Drake, por sua vez, foi até ao rio, encher de água uma pequena taça de prata. Quando voltou já ela se encontrava no centro do círculo formado pelos objectos rituais. Os seus olhos brilharam ao vê-la ali, de cabelos soltos, embalados pela brisa da tarde, vestindo apenas uma túnica comprida de tons azuis, empunhando uma pequena faca de lâmina retorcida. Colocou a taça no seu lugar e ficou sentado numa raiz saliente a observar a sua aluna a desempenhar parte do que lhe fora ensinado. O ritual demorou algum tempo, a lua já aparecia no céu, a brisa continuava morna, Evelyn agradecia agora a presença dos elementos, do Deus e da Deusa. Drake parecia estar em transe, algo mais aparecera naquele momento mágico… o espírito do seu mestre.
«Diz-lhe, não cometas o mesmo erro que tantos de nós cometemos. Agarra esta oportunidade porque outra não se te apresentará!»
por: Milene Emídio
Evelyn subia a custo a encosta sul da montanha. Sabia que algures nas grutas viradas a norte encontraria o seu velho amigo Drake.
Drake era apenas alguns anos mais velho, no entanto, optara por refugiar-se na montanha para se concentrar única e exclusivamente na aprendizagem dos ramos mais altos da magia, queria tornar-se num verdadeiro mago. Há já cerca de cinco anos que Evelyn não o via, lembrava-se de como costumavam andar sempre juntos, partilhar segredos, passear nas longas tardes de verão, contudo, sabia que os olhos cinzentos do seu amigo escondiam algo, um segredo que não havia sido partilhado com ninguém, nem mesmo com ela – a sua melhor amiga.
O sol já descrevera grande parte do seu ciclo, encontrando-se relativamente perto da linha do horizonte, o céu apresentava tons rosa e laranja, a brisa soprava morna, vinda de Este. A caminhada era longa, mas Evelyn estava decidida e nada no mundo a faria mudar de ideias. Por fim avistou as reentrâncias no cimo da montanha, ele havia de estar numa das grutas, restava saber em qual.
A luminosidade era cada vez mais fraca, do sol já pouco ou nada se via, as grutas eram húmidas e escuras. Uma a uma, cada reentrância foi alvo dos olhos curiosos da rapariga, até que numa delas, Evelyn viu uns olhos estranhos que a fixavam e sentiu também um bafo quente. Não conseguiu ter qualquer reacção, as suas pernas tremiam, o seu coração parecia querer saltar-lhe do peito, a cabeça andou à roda e perdeu os sentidos.
Ao reabrir os olhos sentiu-se dorida, estava deitada numa cama de ervas e coberta por uma pele de urso. A visão ainda se encontrava algo desfocada; passou as mãos pelos olhos para a aclarar, quando as retirou viu a figura de um homem que lhe sorria e lhe estendia uma chávena de qualquer coisa fumegante.
- Há quando tempo, Evy! Estavas com melhor aspecto da última vez que te vi! – proferiu em tom jocoso. – Que te trás por cá?
A rapariga apercebeu-se que o homem que se encontrava sentado ao seu lado era nem mais nem menos que Drake, o seu amigo. Estava diferente, mais velho – não apenas pelos cinco anos que tinham passado… as suas feições permaneciam agradáveis, mas estavam mais duras, tinha um ar mais adulto, mais maduro. Sem dar por isso, Evelyn corou ao olhar para Drake. A última vez que o tinha visto era apenas um rapaz, agora tornara-se num homem charmoso e misterioso.
- Quero aprender magia! – disse.
- Evy, estás cansada. Da aldeia até aqui ainda é longe. Levaste um grande susto… Acabaste de recuperar os sentidos.
- Quero aprender magia, Drake! Não percorri todo este caminho para me tentares dissuadir! Sei o que quero e se não for contigo, que és o meu melhor amigo, há-de ser com outro mestre que me aceite! – E dito isto, cruzou os braços em frente do peito.
- Evy, porquê magia? Porquê eu? Porquê agora?
- Para quem se tornou mago, já devias ter calculado a resposta… – retorquiu, olhando-o de lado. – Pois bem, porquê magia, há muito que queria aprender. Desde os tempos em que me falavas de tudo o que esperavas tornar-te, o que tinhas de estudar… Porquê tu?, porque és o meu melhor amigo e sinto que me podes iniciar. Porquê agora?, foi como que um chamamento… Algo me disse que tinha de vir.
- Tu sabes o que viste quando aqui chegaste? – Ao perguntar, Drake desviou o olhar da rapariga, acto que chamou a sua atenção.
- Apenas uns olhos estranhos… senti também um bafo quente… – Reparava agora que os olhos cinzentos do seu amigo estavam mais misteriosos que antes, sabia que ele lhe ia contar algo de que ela não ia gostar, muito provavelmente.
- Era um dragão Evy. Eu sou um dragão.
A primeira reacção de Evelyn teria sido rir-se caso o ar triste e sério de Drake não a tivesse levado a acreditar no que acabava de dizer.
(...)
Por fim chegaram à clareira, tudo era paz e tranquilidade naquele espaço. Não muito longe corria o rio, o murmurar das suas águas puras e cristalinas fazia-se ouvir como uma doce melodia numa tarde de final de primavera. Evelyn tratou de colocar cada objecto no seu devido local e refugiou-se atrás de um grande carvalho para mudar de roupa. Drake, por sua vez, foi até ao rio, encher de água uma pequena taça de prata. Quando voltou já ela se encontrava no centro do círculo formado pelos objectos rituais. Os seus olhos brilharam ao vê-la ali, de cabelos soltos, embalados pela brisa da tarde, vestindo apenas uma túnica comprida de tons azuis, empunhando uma pequena faca de lâmina retorcida. Colocou a taça no seu lugar e ficou sentado numa raiz saliente a observar a sua aluna a desempenhar parte do que lhe fora ensinado. O ritual demorou algum tempo, a lua já aparecia no céu, a brisa continuava morna, Evelyn agradecia agora a presença dos elementos, do Deus e da Deusa. Drake parecia estar em transe, algo mais aparecera naquele momento mágico… o espírito do seu mestre.
«Diz-lhe, não cometas o mesmo erro que tantos de nós cometemos. Agarra esta oportunidade porque outra não se te apresentará!»
por: Milene Emídio
maio 22, 2007
Utopia: Mito que pode virar realidade?
Sendo este blog um sítio onde a mente vagueia venho vaguear um pouco num tema que poderá ser interessante para uns, para outros nem tanto...
Acabei de ler o livro "Utopia" do escritor Thomas More e considero ser um livro a ser lido por toda a gente nem que seja para pôr as pessoas a pensar numa questão: "E se..?". Neste livro, e não querendo desde já dizer a história toda o que deixo para vocês o fazerem, Thomas More critica a vida social e política da Inglaterra e também dos outros estados Europeus da altura (meados séc. XVI) "...verberando o despotismo das monarquias, o servilismo dos cortesãos, a venalidade dos altos funcionários, o luxo e a injustiça dos nobres e dos monges.". Dá-nos também a conhecer uma terra supostamente real onde se encontra a organização ideal de sociedade fazendo assim um "abrir de olhos" aos seus compatriotas europeus de como governar bem e sem problemas.
Isto tudo para dizer o quê: que este livro é tão actual na altura como o é agora se cada um de nós simplsmente tentar transpor algo do livro para os nossos dias. A crítica continua a ser válida e pode ser que nós, cidadãos do mundo livre, nos comecemos a preocupar alguma coisa com a nossa própria vida já que a nossa própria vida faz a vida da comunidadee aqui aplica-se o ditado: "Faz aos outros o que gostariam que te fizessem a ti."
Leiam, reflictam e depois digam de vossa justiça já que eu disse da minha.
Tenho dito.
Acabei de ler o livro "Utopia" do escritor Thomas More e considero ser um livro a ser lido por toda a gente nem que seja para pôr as pessoas a pensar numa questão: "E se..?". Neste livro, e não querendo desde já dizer a história toda o que deixo para vocês o fazerem, Thomas More critica a vida social e política da Inglaterra e também dos outros estados Europeus da altura (meados séc. XVI) "...verberando o despotismo das monarquias, o servilismo dos cortesãos, a venalidade dos altos funcionários, o luxo e a injustiça dos nobres e dos monges.". Dá-nos também a conhecer uma terra supostamente real onde se encontra a organização ideal de sociedade fazendo assim um "abrir de olhos" aos seus compatriotas europeus de como governar bem e sem problemas.
Isto tudo para dizer o quê: que este livro é tão actual na altura como o é agora se cada um de nós simplsmente tentar transpor algo do livro para os nossos dias. A crítica continua a ser válida e pode ser que nós, cidadãos do mundo livre, nos comecemos a preocupar alguma coisa com a nossa própria vida já que a nossa própria vida faz a vida da comunidadee aqui aplica-se o ditado: "Faz aos outros o que gostariam que te fizessem a ti."
Leiam, reflictam e depois digam de vossa justiça já que eu disse da minha.
Tenho dito.
maio 02, 2007
Free Night Div.
O que é para si uma noite Div?
Este é o mote do mais recente programa radiofónico da Horizonte FM (92.8 FM), que vai ter lugar aos sábados e domingos, das 16h às 19h.
Conta com o apoio (e patrocínio) do Café da Palha, sito no Parque das Nações.
A ideia é inovar as noites de Lisboa (e as tardes de fim de semana da rádio), contando para isso com a participação de todos, e, em especial das DIV's do nosso país.
Para mais informações... Free Night Div. (Blog)
Milene Emídio
Este é o mote do mais recente programa radiofónico da Horizonte FM (92.8 FM), que vai ter lugar aos sábados e domingos, das 16h às 19h.
Conta com o apoio (e patrocínio) do Café da Palha, sito no Parque das Nações.
A ideia é inovar as noites de Lisboa (e as tardes de fim de semana da rádio), contando para isso com a participação de todos, e, em especial das DIV's do nosso país.
Para mais informações... Free Night Div. (Blog)
Milene Emídio
abril 25, 2007
Morte
Pois bem... isto já não era actualizado há uns tempos... Falta de oportunidade e de tema... e vejam lá que a originalidade foi tanta que o tema é exactamente o mesmo do último post!
Contudo, desta vez, numa veia menos satírica ou irónica... Tenho a agradecer este texto à minha musa inspiradora... uma música que ouvi num concerto e quando li a letra fiquei de quatro (não nesse sentido.. ai ai ai ai essas mentes!!!). O meu obrigada aos Tragic Comic pela música que fazem e que tão alegremente apresentam nos seus concertos, e um obrigada especial ao Ozzy que me facultou a letra da música!
Aqui vos deixo um excerto da minha mais recente criação:
"Deambulo por um caminho estranho.
Não consigo aperceber-me se é noite ou dia, há sol, mas tudo à minha volta é escuro, mas não aquele escuro das nuvens ou do cair da noite... Antes um escuro doentio que oscila entre o púrpura e o negro.
As árvores estão como que mortas, sem folhas, os ramos como ossos agudos e ameaçadores, mas sem vida, sem seiva. Por entre eles prendem-se fiapos de um qualquer tecido... Tento aproximar-me mas a imagem foge.
Já não distingo o real do irreal. As minhas roupas são-me estranhas e estão esfarrapadas, talvez o tecido que se encontra nas árvores pertença à saia do meu vestido?! Não sei... tudo é escuro, e tudo pode ser qualquer coisa.
A vegetação morta e negra aos meus pés, estranhamente não larga qualquer odor, nem bom, nem mau, mas ainda assim revolta-me o estômago.
Quero gritar, mas a voz estrangula-se-me na garganta. É abafada por algo que me é exterior. Contudo, os meus pensamentos, ouço-os como se estivesse a falar. Tudo o resto é silêncio, tudo o resto está morto.
Como vim aqui parar? Não sei... Queria saber, queria compreender, mas não sei nem compreendo.
Olho para mim mesma com um pouco de mais atenção. Noto que a minha pele está anormalmente pálida, as veias, outrora cheias de vida a pulsar nelas, estão visíveis, mas mortiças. Sinto-me fria! Fria não... agora que me sinto, sei que estou gelada, mas não tenho frio... Agora que reparo, quase nem tenho pulsação! Está fraca, quase que imperceptível ao toque.
Se tivesse um espelho sei que veria olheiras fundas e escuras sob os meus olhos. Os olhos... tão vivos e brilhantes... Pergunto-me como estarão eles agora! Testemunhas de tudo aquilo por que passei, das loucuras que me assaltam a mente à noite, das visões que me perseguem durante o dia. Nada existe, mas tudo está lá... E eles vêm, continuamente, sem sequer pestanejarem...
Onde estou eu? Não vejo nada nem ninguém, apenas as árvores nuas e mortas que se afastam à medida que caminho. Volto a perguntar-me se estarei realmente aqui ou se esta é apenas mais uma das tantas visões ou dos inúmeros pesadelos que tenho tido...
Tento correr, tento alcançar algo que nem mesmo eu sei o que é. Sei apenas que quero sair dali, acordar, despertar... Qualquer coisa que me faça sentir viva outra vez. Quero sentir-me quente. Quero sentir o coração a bater-me no peito. Quero sentir as minhas veias a pulsar com o sangue que corre nelas. Mas as pernas não obedecem ao meu pensamento, o vestido pesa toneladas... Não que pese realmente, mas transmite-me essa sensação.
Estou presa em mim mesma, algures num cenário que eu mesma criei, somente com a minha própria companhia... Quero sair e não posso, não consigo. Mais um grito estrangulado dentro de mim, e dói... Dói imenso. As lágrimas caem em silêncio e a amargura derruba-me.
Sinto-me cansada... Tão cansada. Olho em redor e nada... Nem uma alma, um recanto, nada! Enrolo-me sobre mim mesma naquele chão morto. O vestido confere-me algum conforto. A náusea começa a passar. As formas começam a desaparecer... Primeiro o sol escuro e o céu negro, depois as árvores e os seus ramos ameaçadores. Por fim, o chão em que estou.
Tão cansada... Sinto-me tão cansada. Só quero dormir... Dormir... Começo a fechar os olhos. Parece então que uma luz suave e quente me começa a envolver, doce... tão doce. E quente, reconfortante. Aninho-me mais em mim mesma e deixo-me levar pelo conforto e pelo brilho da luz. Cansada, tão cansada... Vou dormir... Apenas dormir..."
**** **** **** **** **** **** **** **** **** **** **** **** **** **** ****
Paz... finalmente paz!
Contudo, desta vez, numa veia menos satírica ou irónica... Tenho a agradecer este texto à minha musa inspiradora... uma música que ouvi num concerto e quando li a letra fiquei de quatro (não nesse sentido.. ai ai ai ai essas mentes!!!). O meu obrigada aos Tragic Comic pela música que fazem e que tão alegremente apresentam nos seus concertos, e um obrigada especial ao Ozzy que me facultou a letra da música!
Aqui vos deixo um excerto da minha mais recente criação:
"Deambulo por um caminho estranho.
Não consigo aperceber-me se é noite ou dia, há sol, mas tudo à minha volta é escuro, mas não aquele escuro das nuvens ou do cair da noite... Antes um escuro doentio que oscila entre o púrpura e o negro.
As árvores estão como que mortas, sem folhas, os ramos como ossos agudos e ameaçadores, mas sem vida, sem seiva. Por entre eles prendem-se fiapos de um qualquer tecido... Tento aproximar-me mas a imagem foge.
Já não distingo o real do irreal. As minhas roupas são-me estranhas e estão esfarrapadas, talvez o tecido que se encontra nas árvores pertença à saia do meu vestido?! Não sei... tudo é escuro, e tudo pode ser qualquer coisa.A vegetação morta e negra aos meus pés, estranhamente não larga qualquer odor, nem bom, nem mau, mas ainda assim revolta-me o estômago.
Quero gritar, mas a voz estrangula-se-me na garganta. É abafada por algo que me é exterior. Contudo, os meus pensamentos, ouço-os como se estivesse a falar. Tudo o resto é silêncio, tudo o resto está morto.
Como vim aqui parar? Não sei... Queria saber, queria compreender, mas não sei nem compreendo.
Olho para mim mesma com um pouco de mais atenção. Noto que a minha pele está anormalmente pálida, as veias, outrora cheias de vida a pulsar nelas, estão visíveis, mas mortiças. Sinto-me fria! Fria não... agora que me sinto, sei que estou gelada, mas não tenho frio... Agora que reparo, quase nem tenho pulsação! Está fraca, quase que imperceptível ao toque.
Se tivesse um espelho sei que veria olheiras fundas e escuras sob os meus olhos. Os olhos... tão vivos e brilhantes... Pergunto-me como estarão eles agora! Testemunhas de tudo aquilo por que passei, das loucuras que me assaltam a mente à noite, das visões que me perseguem durante o dia. Nada existe, mas tudo está lá... E eles vêm, continuamente, sem sequer pestanejarem...
Onde estou eu? Não vejo nada nem ninguém, apenas as árvores nuas e mortas que se afastam à medida que caminho. Volto a perguntar-me se estarei realmente aqui ou se esta é apenas mais uma das tantas visões ou dos inúmeros pesadelos que tenho tido...
Tento correr, tento alcançar algo que nem mesmo eu sei o que é. Sei apenas que quero sair dali, acordar, despertar... Qualquer coisa que me faça sentir viva outra vez. Quero sentir-me quente. Quero sentir o coração a bater-me no peito. Quero sentir as minhas veias a pulsar com o sangue que corre nelas. Mas as pernas não obedecem ao meu pensamento, o vestido pesa toneladas... Não que pese realmente, mas transmite-me essa sensação.
Estou presa em mim mesma, algures num cenário que eu mesma criei, somente com a minha própria companhia... Quero sair e não posso, não consigo. Mais um grito estrangulado dentro de mim, e dói... Dói imenso. As lágrimas caem em silêncio e a amargura derruba-me.
Sinto-me cansada... Tão cansada. Olho em redor e nada... Nem uma alma, um recanto, nada! Enrolo-me sobre mim mesma naquele chão morto. O vestido confere-me algum conforto. A náusea começa a passar. As formas começam a desaparecer... Primeiro o sol escuro e o céu negro, depois as árvores e os seus ramos ameaçadores. Por fim, o chão em que estou.
Tão cansada... Sinto-me tão cansada. Só quero dormir... Dormir... Começo a fechar os olhos. Parece então que uma luz suave e quente me começa a envolver, doce... tão doce. E quente, reconfortante. Aninho-me mais em mim mesma e deixo-me levar pelo conforto e pelo brilho da luz. Cansada, tão cansada... Vou dormir... Apenas dormir..."
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Paz... finalmente paz!
Por: Milene Emídio
Image by: http://azras.cyberspot.se/default.aspx
janeiro 29, 2007
15 formas de (não) tentar o suicídio
Não tenham este post como algo mal intencionado. A verdade é que a temática da morte tem sido constante na minha vida nestes últimos meses... familiares, familiares de amigos, trabalhos... Enfim... dá que pensar! Por isso mesmo, resolvi colocar a questão de forma diferente!
Eis o resultado parvo que só podia sair duma cabeça como a minha...
1. Cortar os pulsos? ...ehhh não consigo ver sangue!
2. Atirar-me ao rio? ...nah... sei nadar!
3. Prender pedras aos tornozelos e tentar afogamento na praia? ...o peso seria tanto que não ultrapassaria a berma da água...
4. Enforcar-me? ...com a sorte e o peso que tenho, o mais provável seria a corda partir-se!
5. Ingerir comprimidos? ...e isso não faz mal ao estômago??
6. E veneno para ratos? ...aquilo tem um aspecto tão... tão...
7. Dar um tiro na cabeça? Que horror!! Só a sujeira que iria ficar depois com bocados de cérebro espalhados por todo o lado... acham mesmo!?
8. Injectar-me com dose excessiva de droga? ...não digam a ninguém, mas... tenho medo de agulhas!
9. Que tal suicídio assistido (implica hospital e médicos)? A lei não mo permite... e continuo a ter medo de agulhas... e os comprimidos fazem mal ao estômago!
10. Atirar-me das escadas? ...isso dói!
11. E se for de um penhasco? ... tenho vertigens!
12. Enfiar um saco pela cabeça para asfixiar? ... e falta de ar também...
13. Atirar-me para a linha de comboio? É regional... pára em todas as estações... também vai parar a tempo de me ver...
14. E se for para a frente de um autocarro? Nunca passam a horas e a paciência de uma pessoa tem limites!
15. Enfiar a cabeça no forno? É eléctrico... logo, não vou asfixiar com o gás!
Resumindo... Não vale a pena tentar adiar a morte! É, com toda a certeza, a única coisa que temos certa nesta vida... Ninguém lhe escapa! Por isso, vivam o melhor que puderem e cometam loucuras porque quando damos por nós... já pode ser tarde!
Por: Milene Emídio
Eis o resultado parvo que só podia sair duma cabeça como a minha...
1. Cortar os pulsos? ...ehhh não consigo ver sangue!
2. Atirar-me ao rio? ...nah... sei nadar!
3. Prender pedras aos tornozelos e tentar afogamento na praia? ...o peso seria tanto que não ultrapassaria a berma da água...
4. Enforcar-me? ...com a sorte e o peso que tenho, o mais provável seria a corda partir-se!
5. Ingerir comprimidos? ...e isso não faz mal ao estômago??
6. E veneno para ratos? ...aquilo tem um aspecto tão... tão...
7. Dar um tiro na cabeça? Que horror!! Só a sujeira que iria ficar depois com bocados de cérebro espalhados por todo o lado... acham mesmo!?
8. Injectar-me com dose excessiva de droga? ...não digam a ninguém, mas... tenho medo de agulhas!
9. Que tal suicídio assistido (implica hospital e médicos)? A lei não mo permite... e continuo a ter medo de agulhas... e os comprimidos fazem mal ao estômago!
10. Atirar-me das escadas? ...isso dói!
11. E se for de um penhasco? ... tenho vertigens!
12. Enfiar um saco pela cabeça para asfixiar? ... e falta de ar também...
13. Atirar-me para a linha de comboio? É regional... pára em todas as estações... também vai parar a tempo de me ver...
14. E se for para a frente de um autocarro? Nunca passam a horas e a paciência de uma pessoa tem limites!
15. Enfiar a cabeça no forno? É eléctrico... logo, não vou asfixiar com o gás!
Resumindo... Não vale a pena tentar adiar a morte! É, com toda a certeza, a única coisa que temos certa nesta vida... Ninguém lhe escapa! Por isso, vivam o melhor que puderem e cometam loucuras porque quando damos por nós... já pode ser tarde!
Por: Milene Emídio
janeiro 20, 2007
Ano novo...

Pois é, parece que já venho um pouco tarde para desejar um bom 2007 a todos os cibernautas que por aqui passem, no entanto, não posso deixar de utilizar o chavão "ano novo...." ... produtos novos!
Este meu post é unicamente para vos dar conhecimento da mais recente invenção anti-tabagista (ou pelo menos 50% dos espanhóis dizem que ajuda a largar o vício do tabaco)... publicidade mais linda que isto pode dar... crianças acautelem-se que isto é para maiores de 18! (se bem que... pode ser quando a pessoa quiser... afinal, é algo natural... esqueçam este meu devaneio!)
Foto tirada por Sorcha (Milene Emídio)
outubro 07, 2006
Sintra continua mística
E mais um feriado (5 de Outbro), mais um meeting, cada vez com menos gente... desta feita com apenas três gatos pingados! Mas como alguém sabiamente disse "poucos, mas bons!".
E nada melhor que voltar a Sintra, precisamente um ano após o meeting anterior, para confirmar que a serra continua mística e maravilhosa, com tudo no mesmo sítio (ou então não... mas ninguém reparou!!) lol
O Palácio da Vila e os jarndis de Monserrate foram os locais visitados este ano, o primeiro à borla (vá-se lá perceber como... estamos a falar de Sintra meus amigos... tudo, mas mesmo TUDO é pago!! À excepção deste palácio bem no centro da vila, com as suas famosas chaminés, que, pelo menos nesta data tem os bilhetes dados, à pala, de borla ou à borliu... como preferirem); e o segundo pago, claro está... e com a agravante de não se poder visitar o palácio de Monserrate por dentro, dado que ainda estão a decorrer obras de restauro.
Aqui vos deixo, então umas fotos para vos aguçar o apetite e, quiçá, espevitar-vos a intenção de se juntarem a nós num próximo meeting...

Palácio de Monserrate - ala Este
E nada melhor que voltar a Sintra, precisamente um ano após o meeting anterior, para confirmar que a serra continua mística e maravilhosa, com tudo no mesmo sítio (ou então não... mas ninguém reparou!!) lol
O Palácio da Vila e os jarndis de Monserrate foram os locais visitados este ano, o primeiro à borla (vá-se lá perceber como... estamos a falar de Sintra meus amigos... tudo, mas mesmo TUDO é pago!! À excepção deste palácio bem no centro da vila, com as suas famosas chaminés, que, pelo menos nesta data tem os bilhetes dados, à pala, de borla ou à borliu... como preferirem); e o segundo pago, claro está... e com a agravante de não se poder visitar o palácio de Monserrate por dentro, dado que ainda estão a decorrer obras de restauro.
Aqui vos deixo, então umas fotos para vos aguçar o apetite e, quiçá, espevitar-vos a intenção de se juntarem a nós num próximo meeting...
Palácio de Monserrate - ala Este
Palácio da Vila, Pátio interior
Palácio de Monserrate,
visto do relvado cheio de gafanhotos!
Fotos tiradas por Sorcha (Milene Emídio)
junho 25, 2006
Entrevista a Juliet Marillier
Uma vez mais vou postar o resultado de um trabalho académico... uma entrevista realizada no âmbito da cadeira de Produção de Texto Jornalístico (com o sr. dr. professor [lol] Leonídio Ferreira).
Escolhi a escritora Juliet Marillier, uma das minhas escritoras preferidas. A versão que se segue é a versão curta e traduzida, a original há-de estar disponível brevemente (se não estiver já) no site oficial da escritora.
Como sempre, a Juliet mostrou ser uma pessoa cinco estrelas, sempre pronta para ajudar e uma simpatia como há poucas no mundo dos famosos.
Juliet Marillier escreveu o seu primeiro livro, A Filha da Floresta, em 1996, aos 48 anos de idade, em modo de terapia, após se ter divorciado. Descobriu, então que tinha potencial como escritora, quando viu o seu livro aceite para publicação, por uma editora. Nascida em Dunedin, na Nova Zelândia, mudou-se para a Austrália, em 1976 por motivos profissionais, tendo sido convidada para leccionar na universidade de Melbourne.
Actualmente vive em Perth, perto de uma comunidade rural, o que lhe permite o sossego, paz e harmonia que carece para escrever. As suas raízes neo-zelandesas de fortes tradições celtas influenciam toda a sua escrita, que conta já com seis romances de fantasia editados em Portugal.
Licenciou-se em Linguística e Música na Universidade de Otago e a sua carreira tem sido bastante diversificada, passando pelo ensino, interpretação musical e trabalho em agências governamentais.
Autora da trilogia de Sevenwaters, da Saga das Ilhas Brilhantes e das Crónicas de Bridei, Marillier conta já com alguns prémios pelas suas obras e é considerada por alguns críticos como a sucessora de Marion Zimmer Bradley.
1. Quando se apercebeu que queria ser escritora?
Não houve um momento certo. Sempre escrevi por puro prazer, desde pequena, mas escrever realmente, só após o meu divórcio. Escrevi A Filha da Floresta em cerca de três anos, como forma de terapia enquanto trabalhava a tempo inteiro na função pública. Surpreendi-me bastante quando o livro foi aceite para publicar. Suponho que esse tenha sido o facto que me fez ver a escrita como uma possível carreira.
2. Com que idade escreveu o seu primeiro livro? Publicou-o?
Tenho um pequeno romance de fantasia, que escrevi uns anos antes de escrever A Filha da Floresta. Nunca o enviei para publicação e também não tenciono fazê-lo. A Filha da Floresta foi o meu primeiro trabalho a sério enquanto romance e foi escrito entre 1996 e 1998.
3. Em que medida é que a sua terra natal (Nova Zelândia) e as tradições escocesas da mesma influenciaram a sua escrita?
A minha família adorava a música tradicional escocesa, as suas histórias e tradições, tal como toda a comunidade em que cresci. As próprias paisagens de Dunedin são bastante parecidas com as terras altas da Escócia, de onde vêm os meus ascendentes. É por tudo isto que escrevo romances com uma forte vertente celta.
4. Qual a sua inspiração quando escreve?
Sem dúvida, História. Adoro ler sobre o passado, descobrir facto que não sabia, encontrar histórias bizarras, preencher espaços. Também me interesso bastante por mitologia e superstições. Tenho lido esse tipo de histórias desde a minha infância e foram de grande influência no meu modo de escrita.
5. Pensa adaptar alguma das suas obras ao cinema?
Os direitos de autor para a trilogia de Sevenwaters estão, de momento, com alguém nos Estados Unidos, mas não tenho a certeza se este projecto irá em frente – é preciso muito dinheiro para realizar este tipo de filme. Esta decisão não me caberá a mim, vai depender da companhia cinematográfica ou do interesse de um realizador para que os direitos sejam comprados e então se avance com o projecto. Penso que O Filho de Thor daria um excelente filme.
6. As suas personagens são inventadas ou baseia-se em alguém para as criar?
Invento-as, mas estou certa que utilizo algumas características de pessoas que conheço ou que encontrei. Mas nunca basearia uma personagem inteiramente numa pessoa real.
7. Blade of Fortiu é o seu mais recente livro. Para quando a versão em português? A Bertrand já agendou prazos de publicação?
A Bertrand ainda não meu deu qualquer indicação de datas. Mas é provável que seja publicado um ano após o livro O Espelho Negro.
8. Tem seis livros editados em Portugal. Que sabe sobre a cultura e o povo portugueses?
Mais do que sabia. Quando fui entrevistada para a televisão portuguesa, há alguns anos, tive de admitir que nunca tinha lido qualquer autor português, o que me envergonhou, então, tentei compensar essa falha. Adoro os livros de José Saramago (e já li grande parte deles) assim como Fernando Pessoa. Li um pouco sobre a história do país e sobre o povo, em particular sobre os anos em que Portugal era uma potência colonial e sobre os Descobrimentos.
(Quando a Austrália for eliminada do Mundial – o que deve acontecer na primeira volta – estou a pensar torcer por Portugal, sei que têm uma boa equipa!)
9. Já considerou escrever sobre mitologia ou algum povo dos povos que viveu em Portugal?
Pensei escrever algo baseado na vida de um descobridor português perdido num conflito interior para se encontrar a ele mesmo numa terra diferente. Este projecto pode ainda ser realizado. O mais parecido que tenho até à data inclui uma personagem portuguesa num romance que estou correntemente a escrever, passado no século XVI, em Istambul.
10.Em duas trilogias e uma saga escreveu sobre costumes celtas, bretões, vickings e pictos. Como fez a sua pesquisa para estas obras?
Estudando livros de história e mapas, lendo sobre mitologia e superstições da data em que decorre o romance e viajando aos locais onde se dá a acção. Falando com pessoas locais, procurar saber sobre o tempo, detalhes geográficos, plantas e animais e elementos culturais tais como, por exemplo, o modo como eram construídos os barcos Vikings.
11. Até que ponto é que os dados sobre os povos são reais e onde começa a ficção?
Varia de livro para livro. A trilogia de Sevenwaters foi baseada em história e folclore irlandês, mas não é necessariamente fiel em termos cronológicos e históricos. Os livros posteriores têm alguns pontos de acontecimentos históricos, mas as histórias que os suportam são mera ficção. As Crónicas de Bridei são as primeiras que contam com personagens históricas reais. Os acontecimentos principais na vida de Bridei (e de Broichan) são baseados em factos verídicos, mas também há muito que é inventado, por exemplo, não se sabe nada acerca da verdadeira esposa de Bridei. E toda a religião nas Crónicas é inventada, mas baseei-a na minha pesquisa sobre os Pictos e na fé pagã que se vivia na Grã-Bretanha, na altura. Torna-se impossível separar aquilo que é ficção daquilo que é real nos livros porque ambas estão bastante ligadas.
12. Tem a preocupação de se manter fiel aos factos e à cronologia quando escreve sobre esses povos?
Estou a começar a ter essa preocupação e a ser mais cuidadosa em cada livro. A trilogia de Sevenwaters nunca foi pensada para obedecer a dados históricos – vejo-a mais como conto de fadas do que como ficção histórica. O Filho de Thor tem algumas bases históricas, embora as personagens e maior parte dos acontecimentos sejam ficção. Por exemplo, sabemos que os nórdicos estiveram nas Ilhas Órcades na altura em que a história do livro se passa, mas não sabemos quem fez a primeira viagem, ou se esta acabou em guerra ou paz. Li bastante acerca da história das ilhas e dos Vikings para escrever esse livro. E fiz bastante trabalho de pesquisa sobre a história dos Pictos para escrever as Crónicas de Bridei. Contudo, os livros são ficção, não são históricos. Onde houver lacunas na história ou no que sabemos acerca da cultura, sinto-me livre para reconstruir ou inventar detalhes, mas mantenho-os dentro daquilo que seria plausível para o tempo e cultura sobre os quais estou a escrever.
13. Concluídas as Crónicas de Bridei, já tem algum projecto literário em vista?
Tenho dois projectos em mãos, As Crónicas de Bridei e mais dois ou três livros para jovens. Quando concluir o The Well of Shades, estou a pensar escrever mais dois livros na série das Crónicas, ocorridos na geração seguinte. Quando tudo isto estiver feito, espero começar um projecto diferente. Pode ser o tal romance sobre o descobridor português que referi ou um livro passado no Império Otomano. Ou outra coisa qualquer!
(se alguem quiser a versão integral... é pedir)
Por: Milene Emídio
Escolhi a escritora Juliet Marillier, uma das minhas escritoras preferidas. A versão que se segue é a versão curta e traduzida, a original há-de estar disponível brevemente (se não estiver já) no site oficial da escritora.
Como sempre, a Juliet mostrou ser uma pessoa cinco estrelas, sempre pronta para ajudar e uma simpatia como há poucas no mundo dos famosos.
Juliet Marillier escreveu o seu primeiro livro, A Filha da Floresta, em 1996, aos 48 anos de idade, em modo de terapia, após se ter divorciado. Descobriu, então que tinha potencial como escritora, quando viu o seu livro aceite para publicação, por uma editora. Nascida em Dunedin, na Nova Zelândia, mudou-se para a Austrália, em 1976 por motivos profissionais, tendo sido convidada para leccionar na universidade de Melbourne.
Actualmente vive em Perth, perto de uma comunidade rural, o que lhe permite o sossego, paz e harmonia que carece para escrever. As suas raízes neo-zelandesas de fortes tradições celtas influenciam toda a sua escrita, que conta já com seis romances de fantasia editados em Portugal.
Licenciou-se em Linguística e Música na Universidade de Otago e a sua carreira tem sido bastante diversificada, passando pelo ensino, interpretação musical e trabalho em agências governamentais.
Autora da trilogia de Sevenwaters, da Saga das Ilhas Brilhantes e das Crónicas de Bridei, Marillier conta já com alguns prémios pelas suas obras e é considerada por alguns críticos como a sucessora de Marion Zimmer Bradley.
1. Quando se apercebeu que queria ser escritora?
Não houve um momento certo. Sempre escrevi por puro prazer, desde pequena, mas escrever realmente, só após o meu divórcio. Escrevi A Filha da Floresta em cerca de três anos, como forma de terapia enquanto trabalhava a tempo inteiro na função pública. Surpreendi-me bastante quando o livro foi aceite para publicar. Suponho que esse tenha sido o facto que me fez ver a escrita como uma possível carreira.
2. Com que idade escreveu o seu primeiro livro? Publicou-o?
Tenho um pequeno romance de fantasia, que escrevi uns anos antes de escrever A Filha da Floresta. Nunca o enviei para publicação e também não tenciono fazê-lo. A Filha da Floresta foi o meu primeiro trabalho a sério enquanto romance e foi escrito entre 1996 e 1998.
3. Em que medida é que a sua terra natal (Nova Zelândia) e as tradições escocesas da mesma influenciaram a sua escrita?
A minha família adorava a música tradicional escocesa, as suas histórias e tradições, tal como toda a comunidade em que cresci. As próprias paisagens de Dunedin são bastante parecidas com as terras altas da Escócia, de onde vêm os meus ascendentes. É por tudo isto que escrevo romances com uma forte vertente celta.
4. Qual a sua inspiração quando escreve?
Sem dúvida, História. Adoro ler sobre o passado, descobrir facto que não sabia, encontrar histórias bizarras, preencher espaços. Também me interesso bastante por mitologia e superstições. Tenho lido esse tipo de histórias desde a minha infância e foram de grande influência no meu modo de escrita.
5. Pensa adaptar alguma das suas obras ao cinema?
Os direitos de autor para a trilogia de Sevenwaters estão, de momento, com alguém nos Estados Unidos, mas não tenho a certeza se este projecto irá em frente – é preciso muito dinheiro para realizar este tipo de filme. Esta decisão não me caberá a mim, vai depender da companhia cinematográfica ou do interesse de um realizador para que os direitos sejam comprados e então se avance com o projecto. Penso que O Filho de Thor daria um excelente filme.
6. As suas personagens são inventadas ou baseia-se em alguém para as criar?
Invento-as, mas estou certa que utilizo algumas características de pessoas que conheço ou que encontrei. Mas nunca basearia uma personagem inteiramente numa pessoa real.
7. Blade of Fortiu é o seu mais recente livro. Para quando a versão em português? A Bertrand já agendou prazos de publicação?
A Bertrand ainda não meu deu qualquer indicação de datas. Mas é provável que seja publicado um ano após o livro O Espelho Negro.
8. Tem seis livros editados em Portugal. Que sabe sobre a cultura e o povo portugueses?
Mais do que sabia. Quando fui entrevistada para a televisão portuguesa, há alguns anos, tive de admitir que nunca tinha lido qualquer autor português, o que me envergonhou, então, tentei compensar essa falha. Adoro os livros de José Saramago (e já li grande parte deles) assim como Fernando Pessoa. Li um pouco sobre a história do país e sobre o povo, em particular sobre os anos em que Portugal era uma potência colonial e sobre os Descobrimentos.
(Quando a Austrália for eliminada do Mundial – o que deve acontecer na primeira volta – estou a pensar torcer por Portugal, sei que têm uma boa equipa!)
9. Já considerou escrever sobre mitologia ou algum povo dos povos que viveu em Portugal?
Pensei escrever algo baseado na vida de um descobridor português perdido num conflito interior para se encontrar a ele mesmo numa terra diferente. Este projecto pode ainda ser realizado. O mais parecido que tenho até à data inclui uma personagem portuguesa num romance que estou correntemente a escrever, passado no século XVI, em Istambul.
10.Em duas trilogias e uma saga escreveu sobre costumes celtas, bretões, vickings e pictos. Como fez a sua pesquisa para estas obras?
Estudando livros de história e mapas, lendo sobre mitologia e superstições da data em que decorre o romance e viajando aos locais onde se dá a acção. Falando com pessoas locais, procurar saber sobre o tempo, detalhes geográficos, plantas e animais e elementos culturais tais como, por exemplo, o modo como eram construídos os barcos Vikings.
11. Até que ponto é que os dados sobre os povos são reais e onde começa a ficção?
Varia de livro para livro. A trilogia de Sevenwaters foi baseada em história e folclore irlandês, mas não é necessariamente fiel em termos cronológicos e históricos. Os livros posteriores têm alguns pontos de acontecimentos históricos, mas as histórias que os suportam são mera ficção. As Crónicas de Bridei são as primeiras que contam com personagens históricas reais. Os acontecimentos principais na vida de Bridei (e de Broichan) são baseados em factos verídicos, mas também há muito que é inventado, por exemplo, não se sabe nada acerca da verdadeira esposa de Bridei. E toda a religião nas Crónicas é inventada, mas baseei-a na minha pesquisa sobre os Pictos e na fé pagã que se vivia na Grã-Bretanha, na altura. Torna-se impossível separar aquilo que é ficção daquilo que é real nos livros porque ambas estão bastante ligadas.
12. Tem a preocupação de se manter fiel aos factos e à cronologia quando escreve sobre esses povos?
Estou a começar a ter essa preocupação e a ser mais cuidadosa em cada livro. A trilogia de Sevenwaters nunca foi pensada para obedecer a dados históricos – vejo-a mais como conto de fadas do que como ficção histórica. O Filho de Thor tem algumas bases históricas, embora as personagens e maior parte dos acontecimentos sejam ficção. Por exemplo, sabemos que os nórdicos estiveram nas Ilhas Órcades na altura em que a história do livro se passa, mas não sabemos quem fez a primeira viagem, ou se esta acabou em guerra ou paz. Li bastante acerca da história das ilhas e dos Vikings para escrever esse livro. E fiz bastante trabalho de pesquisa sobre a história dos Pictos para escrever as Crónicas de Bridei. Contudo, os livros são ficção, não são históricos. Onde houver lacunas na história ou no que sabemos acerca da cultura, sinto-me livre para reconstruir ou inventar detalhes, mas mantenho-os dentro daquilo que seria plausível para o tempo e cultura sobre os quais estou a escrever.
13. Concluídas as Crónicas de Bridei, já tem algum projecto literário em vista?
Tenho dois projectos em mãos, As Crónicas de Bridei e mais dois ou três livros para jovens. Quando concluir o The Well of Shades, estou a pensar escrever mais dois livros na série das Crónicas, ocorridos na geração seguinte. Quando tudo isto estiver feito, espero começar um projecto diferente. Pode ser o tal romance sobre o descobridor português que referi ou um livro passado no Império Otomano. Ou outra coisa qualquer!
(se alguem quiser a versão integral... é pedir)
Por: Milene Emídio
junho 09, 2006
Uma experiência apenas...
Há muito que aqui não vinha...
Falta de tempo e falta de material com que actualizar este blog, pois bem, ontem (por causa de um portfolio que teve de ser entregue hoje) fiz a minha tentativa de texto poético... Pensei que a prosa poética fosse a saída mais fácil e mais lógica para mim, mas não consegui... Então, depois de muito riscar e de muitas folhas rasgar... Eis que:
Por onde vou…
Neste largo e fundo rio de dor,
Neste túnel claustrofóbico de solidão,
Busco luz,
Busco conforto,
Procuro-te com sofreguidão,
Mas tu apenas não estás!
As trevas da noite…
Há muito que me assombram.
Tentam arrancar de mim
As memórias de doces sonhos,
Glórias de outros tempos,
Todos os momentos risonhos
Que guardo de ti.
Por onde vou,
Que não consigo acordar?
Queria ver-te, ouvir-te, ter-te…
Sair desta sombra,
Viver novamente qual flor que saboreia o sol,
Sem ter medo de te perder,
Sem ter medo de murchar.
Queria liberdade!
Sentir calor, sentir prazer, sentir-me viva…
Sentir-me detentora da verdade,
Daquela que de ti me priva.
Quero amar-te sem amarras,
Como já uma vez te amei.
Sair daqui apenas…
Falta de tempo e falta de material com que actualizar este blog, pois bem, ontem (por causa de um portfolio que teve de ser entregue hoje) fiz a minha tentativa de texto poético... Pensei que a prosa poética fosse a saída mais fácil e mais lógica para mim, mas não consegui... Então, depois de muito riscar e de muitas folhas rasgar... Eis que:
Por onde vou…
Neste largo e fundo rio de dor,
Neste túnel claustrofóbico de solidão,
Busco luz,
Busco conforto,
Procuro-te com sofreguidão,
Mas tu apenas não estás!
As trevas da noite…
Há muito que me assombram.
Tentam arrancar de mim
As memórias de doces sonhos,
Glórias de outros tempos,
Todos os momentos risonhos
Que guardo de ti.
Por onde vou,
Que não consigo acordar?
Queria ver-te, ouvir-te, ter-te…
Sair desta sombra,
Viver novamente qual flor que saboreia o sol,
Sem ter medo de te perder,
Sem ter medo de murchar.
Queria liberdade!
Sentir calor, sentir prazer, sentir-me viva…
Sentir-me detentora da verdade,
Daquela que de ti me priva.
Quero amar-te sem amarras,
Como já uma vez te amei.
Sair daqui apenas…
Milene Emídio
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