outubro 02, 2010

Banda Sonora

Car@s,

Serve o presente para anunciar a conlusão da primeira fase da minha segunda história, O Feitiço da Moura. A partir de agora é passar a limpo todo o material, compilar por ordem, limar arestas, melhorar o texto, rever para evitar repetições, erros, dissonâncias, etc e depois sim, partir em busca de editora.

Não queria, no entanto, deixar passar esta fase sem antes vos dar a conhecer a lista completa de músicos e temas que acompanharam este longo processo (foram 3 anos, não necessariamente completos - houve grandes pausas pelo meio por diversos motivos). Espero que gostem e, fica a sugestão, porque não aproveitar para compilarem estes nomes para que, assim que tiverem a história convosco, poderem acompanhar a vossa leitura ao som das melodias que inspiraram as palavras ou, pelo menos, ajudaram a apurá-las...

Um Abraço,
Milene Emídio


Edvin Marton - Art on Ice
Emilie Autumn - Misery Loves Company
Enigma - Gravity of Love
Enigma - Sadness
Epica - Phantom Agony
Eurhythmics - Miracle of Love
Gregorian - Before the Dawn
Gregorian - Moment of Peace
Jewel - Foolish Games
Lene Marlin - It’s True
Lene Marlin - Maybe I’ll Go
Loreena McKennit - La Serenissima
Loreena McKennit - Samain Night
Loreena McKennit - Santiago
Loreena McKennit - Tango to Evora
Loreena McKennit - The Dark Night of the Soul
Loreena McKennit - The Mummer’s Dance
Loreena McKennit - The Mystic’s Dream
Loreena McKennit - The Old Ways
Sarah Brightman - Fleurs du Mal
Secret Garden - Celebration
Secret Garden - Dawn of a New Century
Secret Garden - Greenwaves
Secret Garden - Prayer
Stream of Passion - The Art of Loss
Tragic Comic - Deepest Coma
Tragic Comic - SR

agosto 27, 2010

Dreaming of Zaïda

Car@s, há já algum tempo que não actualizava o Blog e, consequentemente as novidades relativamente aos meus escritos. Deixo-vos hoje com mais um capítulo integrante d'O Feitiço da Moura (ainda por terminar).

Espero que gostem.
Comentem ;)
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O espaço à sua volta era desconhecido. Via muralhas de pedra à sua frente, algumas torres que, de acordo com a sua orientação, marcavam os pontos cardeais e, atrás de si, tinha a maior de todas que deduziu tratar-se da área habitacional do castelo.

Manteve-se na sombra, encostada a um canto, encoberta por uma carroça de madeira carregada com feno. Olhou com mais atenção, todo o espaço e indumentárias lhe eram estranhas – reconhecia-as historicamente, mas nunca antes sonhara com elas. Observou pormenorizadamente o que a rodeava. Havia homens com túnicas e calças largas, cintos de pele de onde pendiam espadas longas e de lâmina curva, alguns punhais aparentemente bem afiados, e tinham, na sua maioria, turbantes e um ar feroz. A pele curtida pelo sol sobressaía sob as vestes de tons claros. O sol estava quente e do chão elevavam-se ondas de calor que distorciam um pouco a paisagem. Quase não se viam mulheres.

Perguntou-se o que a levara ali. A sua própria roupa não era muito diferente, uma túnica branca, larga e comprida, totalmente opaca, sendo que o único adorno era uma espécie de bordado tosco em redor do colarinho arredondado. Também ela tinha um pano sobre o cabelo, com a diferença que o seu não se limitava a tapar a farta cabeleira ruiva, enrolava-se ainda ao seu pescoço para que nenhum pedaço pele indevido fosse exposto aos olhos dos demais. Apenas a cara e as mãos estavam a descoberto.

Continuava sem perceber o propósito de tudo aquilo. Uma pequena vibração no ar fê-la virar-se para o seu lado direito a tempo de ver outra figura feminina esgueirar-se pela sombra até ao canto oposto àquele em que se encontrava. A sua movimentação parecia-lhe suspeita pela forma cuidadosa como se tentava fundir com as sombras e com a própria pedra da parede. Vestia-se de modo semelhante ao seu, mas em tons castanho-claro. Uma mecha de cabelo negro conseguira escapar-se ao lenço que lhe cobria a cabeça, tapando também parcialmente o rosto.

Tentando passar despercebida, deslizou junto à parede e seguiu a outra mulher. Alguns metros à frente a figura desapareceu numa entrada obscurecida. Quando atingiu o ponto onde lhe perdera o rasto verificou que o corredor se bifurcava em duas passagens húmidas, fracamente iluminadas por tochas bastante espaçadas umas das outras. Virou-se para se certificar que não fora seguida. A entrada permanecia deserta e os sons exteriores mantinham-se afastados e abafados pela espessura da pedra que a rodeava. O seu instinto dizia-lhe que optasse pelo corredor à sua direita. Não havia qualquer som que denunciasse o caminho da sua antecessora. Uma voz dentro da sua cabeça insistia nesse mesmo corredor. Inês aprendera a não ignorar as vozes que lhe sussurravam em sonhos. Deu um passo em frente e soube que estava certa. O chão estava parcialmente coberto de palha, já bastante pisada, o que permitia caminhar mais rapidamente sem causar ruído. Avançou até chegar à boca do túnel onde o espaço se abria para uma sala ampla com diversas reentrâncias e grades. Calculou encontrar-se nas masmorras. No mesmo instante em que se ia pôr a descoberto reparou na figura vestida de castanho-claro encostada às pesadas barras de ferro da cela mais ocidental da sala. Manteve-se na penumbra do corredor e tentou ouvir o que ela dizia à pessoa cativa. O som chegava-lhe sussurrado e com uma ligeira reverberação.

- Ao cair da noite. É a única forma. Há um túnel que segue directamente até ao bosque, bem para lá das muralhas exteriores.

- Zaida, não! – Inês estacou ao ouvir a voz. Reconhecê-la-ia onde quer que fosse. – Não te vais arriscar por mim.

- Condenei-me no preciso momento em que me permiti olhar para ti, não me faças sofrer mais ficando aqui cativo. Sabes o que te espera se não fugires.

- Se o fizer, o teu pai vai perceber que não foi falha dos seus homens, o castelo está bem guardado e não há escapatória possível a menos que haja alguém que a permita.

- Não me importa, não quero que morras aqui! – Zaida estava ajoelhada no chão de pedra, as suas mãos agarradas às grades que prendiam o cavaleiro.

Inês assistia atónita pela imagem que agora vislumbrava do homem cativo. Diogo afagava as mãos da mulher à sua frente de forma terna. Não compreendia a ligação da sua alma gémea com aquela desconhecida. Pensara ser impossível haver um laço tão forte como aquele que partilhava com ele, mas apercebia-se agora que não. A menos que aquele cavaleiro não fosse Diogo. Ela estava ali por um motivo, mas não pertencia de todo àquela época. Ponderou se ele podia estar na mesma situação, se o afastamento que sentira nele nas últimas semanas teria algo a ver com o que agora presenciava.

- Estarei aqui após o jantar. Temos pouco tempo para percorrer o túnel e deixar-te a salvo antes de o guarda ser rendido. – Levantou-se e voltou a cobrir o rosto.

Inês teve apenas escassos segundos para percorrer o caminho de volta até à bifurcação onde se ocultou pela curvatura natural da parede para evitar ser vista. Não se atreveu a regressar à cela. Iria aguardar pelo cair da noite para segui-los até ao ponto de fuga. Esperou um pouco mais até ter a certeza que seria seguro voltar para o pátio e procurou os estábulos para se esconder. Pela posição do sol calculou que ainda faltassem umas três horas para o crepúsculo. Pegou numa escova e num pequeno banco tosco de madeira e dirigiu-se à divisória mais afastada da porta onde se encontrava uma égua de pelo negro com uma pequena mancha branca em forma de crescente, ligeiramente acima dos olhos. Escovou-a afagando-lhe o pescoço. O animal mostrava-se extremamente dócil. A tarefa acalmou-lhe o espírito ajudando-a a organizar as ideias. Ela estava ali por um motivo, depreendia agora que o motivo estava directamente ligado a Diogo. Não tinha a certeza sobre a época, mas calculou que fosse um período relacionado com a ocupação árabe na Península Ibérica. O seu pensamento voou para a lenda do projecto em que estava envolvida. Poderia a rapariga que vira ser Zaida, a filha do alcaide do castelo da Serra?

O sol continuava a descer na linha do horizonte. As tochas começaram a ser acesas por dois jovens ao longo de todo o pátio e em alguns pontos da muralha interior.

Escovou a crina da égua uma vez mais pousando a mão no focinho do animal.

- Está na hora. – murmurou enquanto pousava o utensílio no banco de madeira.

Esgueirou-se sorrateiramente dos estábulos em direcção às masmorras deixando-se ficar no lado oposto à entrada, aproveitando o monte de feno para se esconder da vista dos demais. Não teve de esperar muito para ver a silhueta feminina surgir das sombras causadas pela tocha que iluminava o corredor da muralha logo acima da sua cabeça. Estava envolta num manto cinzento e movia-se tão silenciosamente que nem os poucos guardas presentes no pátio deram pela sua presença. Aguardou um pouco mais. Não tinha a certeza se Diogo iria sair pelo mesmo caminho. Deveria ter averiguado o túnel da esquerda durante a tarde. A dúvida insistia em martelar-lhe o cérebro. Não sabia se devia seguir a jovem ou aguardar simplesmente. Corria o risco de lhes perder o rasto se esperasse muito mais.

A temperatura arrefecera consideravelmente com o cair da noite. Levantara-se uma leve bruma que conferia ao castelo uma aparência etérea à luz bruxuleante dos archotes com a forte humidade a orvalhar os arbustos e árvores em seu redor.

Como que impelida por uma força invisível cobriu o cabelo e o rosto da melhor forma possível e dirigiu-se aos túneis. Manteve-se atenta a toda e qualquer oscilação de luz ou ar enquanto tentava fundir-se com a parede. Avançou até à bifurcação e apurou o seu ouvido. Nada. Silêncio absoluto. A luz também não tinha qualquer indicação de movimento causado pela passagem de uma pessoa quer por uma corrente de ar.

No preciso momento em que decidiu avançar pelo caminho que a levaria às celas, ouviu um som vindo do corredor oposto seguido de um silêncio surdo. Provavelmente alguém tinha pisado um galho caído fazendo com que este se quebrasse, sendo o som amplificado pelo eco causado pelas paredes de pedra. Não perdeu tempo e seguiu o caminho à sua esquerda serpenteando pelo túnel fracamente iluminado. Só quando vislumbrou a capa cinzenta a desaparecer um pouco mais à frente se apercebeu que não podia ser vista. Acautelou-se estugando o passo e tentando esconder-se nas poucas saliências da construção. O corredor desembocava num pátio circular onde se encontrava o portão de ferro de acesso à cisterna do castelo. À primeira vista não havia qualquer outra saída, à excepção do sítio por onde tinham entrado, mas Inês reparou na capa cinzenta a desaparecer por entre as pedras no lado oposto ao do gradeamento da divisão. Avançou pé ante pé e espreitou pela abertura. Tratava-se de um corredor estreito, íngreme e escuro que parecia enterrar-se nas entranhas da serra. Inês não tinha qualquer fonte de luz consigo e o archote que a filha do alcaide levava ameaçava desaparecer da sua vista em segundos. Fechou os olhos para melhor se habituar à escuridão e seguiu o casal. Perdeu a noção do tempo, desceu a passo lento com receio de cair e, dessa forma, denunciar a sua presença.

O ar era húmido, frio e bafiento. A pedra à sua volta estava coberta de musgo e, possivelmente, com um abundante número de bicharocos que Inês nem queria imaginar, tão grande era a sua fobia por alguns insectos e seres rastejantes.

Uma fraca corrente de ar fez-se sentir. Devia estar próxima da saída do túnel. Estacou alguns metros antes. Pela densidade das árvores calculou estarem algures dentro do bosque que descia a encosta desde as muralhas exteriores até à vila. Diogo estava alguns metros à sua frente envergando a capa que minutos antes envolvia Zaida. Segurava-lhe ternamente no rosto, roçando o polegar pela maçã do rosto rubra.

- Não quero deixar-te. – Ouviu-o sussurrar.

- Tens de ir ou seremos encontrados e não serás o único a responder perante a fúria do meu pai. – Zaida tentou afastar-se como que para incitá-lo a partir. Diogo não o permitiu. Com a outra mão cingiu-lhe a cintura e colou-a a si cobrindo-lhe os lábios rosados com os seus. Um beijo profundo, apaixonado, de gratidão e de promessas. Queria selar o compromisso de voltar por ela, de reclamá-la como sua. Afastou-se relutantemente, ofegante e começou a correr pela serra desaparecendo no meio da vegetação.

Inês não reparara que estava a suster a respiração. Doía-lhe o peito, como se tivesse sido atingido mortalmente por uma flecha. Era um sonho, tinha de se convencer que era um sonho e não tinha de significar literalmente o que tinha visto. Podia ser apenas uma repercussão do seu subconsciente pelo afastamento que sentia da parte de Diogo misturado com a lenda que a acompanhava há meses por estar envolvida no projecto da sua amiga Leonor. Podia ser um simples sonho sem qualquer significado. Podia… Deu por si em completa negação. Os seus sonhos nunca eram casuais, não quando tinha plena consciência de os estar a viver. Voltou a olhar para a saída e já lá não estava a figura feminina, tinha simplesmente desaparecido. Não a vira regressar ao túnel, teria de passar directamente por si, teria sido descoberta. Arrepiou-se, por isso, quando sentiu uma respiração directa no seu pescoço ao mesmo tempo que a pessoa atrás de si lhe dizia:

- Esquece-o! Ele é meu! Sempre foi e voltará a ser. Não tentes sequer intrometer-te, a menos que queiras lidar com as consequências.

Virou-se assim que conseguiu vencer o torpor que se tinha apoderado do seu corpo. Não estava lá ninguém. Reconheceu a voz, ouvira-a diversas vezes ao longo do dia ou horas que ali passara. Era um timbre inconfundível. O comando subjacente nas suas palavras confirmava-lhe o pior dos receios. O sonho tinha uma forte razão de ser. Era um aviso claro que a lenda era mais real do que se pensava e o afastamento de Diogo estava intrinsecamente ligado à história da serra e do castelo. O pio agoirento de uma coruja fez-se ouvir perto demais. Inês correu pelo bosque. Queria sair daquele local, queria acordar… Depressa.


A luz do sol jorrava pela janela do seu quarto. Passou uma mão pelos olhos para clarificar a visão. Estava alagada em suor e lembrava-se de cada pormenor da sua noite agitada. Teria de investigar a lenda sob uma perspectiva diferente, teria de falar com Leonor, mas antes de mais, tinha de tomar um duche.

maio 14, 2010

O Feitiço da Moura - Sinopse

Car@s, aqui fica a sinopse (versão experimental, ainda) da minha mais recente criação: O Feitiço da Moura.


5 anos...
Um anseio ou até mesmo um sonho.
Quis o destino que se voltassem a encontrar, desta vez para desvendar uma lenda.
Quis a sorte que fossem novamente postos à prova.
Zaïda, uma moura encantada prisioneira da sua própria vontade, irá testar as capacidades de Inês e a força de vontade de Diogo.
Será o amor suficiente para quebrar um encantamento?
Será o próprio amor um feitiço?
Ou há simplesmente histórias que devem ser interrompidas para que o equilíbrio se restabeleça?


Abraços,
Milene Emídio

maio 09, 2010

Feira do Livro de Lisboa 2010

Car@s,

Como muit@s de vocês sabem, deixei de ter representação editorial relativamente ao conto O Vestido. No entanto, estive ontem na Feira do Livro com outros autores (e amigos e conhecidos e muita gente - sim, muita gente mesmo apesar da chuva que não parou de cair até às 16h30). Foi extremamente agradável ver e sentir o apoio, o carinho com que fui recebida e o interesse demonstrado por pessoas que ainda não me conheciam ou que tinham apenas ouvido falar. Devo dizer que estou mesmo MUITO feliz pelo dia de ontem e ainda mais por tê-lo podido partilhar com grandes amigos meus e com autores que, esses sim, já se começam a afirmar no panorâma literário português (e que acabaram por se tornar, também eles, meus amigos).

Um muito obrigada a todos os que compareceram na Feira debaixo da intempérie que se fez sentir; um grande abraço a todos os que queriam lá ter estado, mas que por motivos de força maior não pudram comparecer.

Deixo-vos agora com algumas fotos do dia =)

Abraços,
Milene Emídio






maio 02, 2010

Entrevista no Blog Morrighan

Car@s, é com um enorme prazer e muito carinho que posto aqui hoje o link para a entrevista que a Sofia Teixeira, autora do blog Morrighan, me fez.

Já tive oportunidade de vos falar deste projecto de divulgação de autores portugueses, com especial atenção para autores do universo fantástico, mas a publicidade e apoio a este tipo de projectos nunca é em demasia.

Se tiverem oportunidade, não só pela entrevista que aqui menciono, mas por todas as outras, pelas sugestões de leitura, pelas histórias de vida, etc... Visitem este espaço e deixem a vossa opinião.

Entrevista Blog Morrighan

Obrigada a tod@s.
Milene Emídio

abril 29, 2010

O Feitiço da Moura - esboço

Car@s, é com um enorme prazer que venho aqui hoje dar-vos a conhecer o primeiro esboço de capa para o meu segundo conto, O Feitiço da Moura. Obviamente que não será esta a capa final do trabalho, ainda assim foi a ideia primordial dos elementos e do ambiente que gostaria que a capa transmitisse e que tudo tem a ver com a história. Caso o conto venha a ser publicado, os requisitos para capas são diferentes e nem sempre a escolha cabe ao autor (quanto mais sugerir elementos). No caso de não ser publicado, irei com toda a certeza incluir este desenho lindíssimo no PDF.

Quero, antes de mais, agradecer à artista que me fez o ENORME favor de desenhar a minha ideia relâmpago, Sara Rodrigues =)

E agora deixo-vos com... Zaïda.

abril 25, 2010

O Vestido - Review por Sofia Teixeira

Novidades relativamente ao conto O Vestido =)

Podem ler a review no Blog da Sofia Teixeira:
Morrighan


Para quem ainda não está familiarizado com este projecto, a nossa querida Sofia tem feito um trabalho notável entrando em contacto com diversos autores portugueses e faz postagens regulares sobre obras portuguesas (reviews e sugestões), autores portugueses (entrevistas) e também leituras internacionais (reviews, sugestões e passatempos).

Deixo também o link da página d'O Vestido no Facebook para quem se quiser juntar a esta família =)

O Vestido no FB

Abraços,
Milene Emídio

abril 04, 2010

O Vestido

Car@s, apenas uma breve mensagem para vos dar a conhecer as últimas notícias. O livro O Vestido, da minha autoria, deixa, desde hoje, de ter editora que o represente. Decisão pensada e repensada e após 3 anos acho que foi a atitude correcta a tomar - grande parte de vós sabe o porquê. Deixo aqui a capa provisória do livro - que não é muito diferente da primeira versão, visto que a foto que tinha por base ser também da minha autoria, logo não corro riscos com direitos "ressalvados". Modifiquei o estilo de letra, assim como a cor (escureci apenas), como disse, para que a obra não fique sem face visível.

A tod@s o meu muito obrigada pelo interesse e carinho que têm demonstrado desde sempre.


Abraços,

Milene Emídio

abril 03, 2010

O Feitiço da Moura

Como já devem ter reparado pelos últimos dois posts (integrantes do novo conto que será uma "continuação" da história d'O Vestido) tenho andado (de há 3 anos a esta parte... shame on me) em processo criativo (mais ou menos) XD

Hoje decidi-me pelo título (elemento em que confesso ter MUITAS dificuldades, porque nunca me parecem ideais. Ou revelam demasiado, ou nã revelam nada, ou não têm muito a ver, embora sejam sonantes, ou têm tudo a ver, mas não são apelativos... Enfim.

Estou neste momento a escrever o que será o último capítulo (atenção que eu não escrevo pela ordem em que os capítulos aparecem na versão final. Tenho um esquema de episódios que constam do conto e vou escrevendo conforme o estado de espírito...) e lembrei-me de colocar um ponto final na questão do título do conto.

Brevemente (ou não) pode ser que vos presenteie com O Feitiço da Moura =)

Até lá podem ir lendo o que aqui já consta que será integrante do referido conto.
Textos a ter em conta:

Morte; Viagem; Zaïda e Dreaming of Someone Special.

Boas leituras e até breve :)

outubro 06, 2009

Dreaming of someone special

Car@s, como ainda não tenho todas as fotos tiradas naquele paraíso que visitei faz hoje um mês, optei por não desvendar ainda a aventura que foi a minha viagem de férias às terras mágicas da Irlanda - talvez no próximo post.
Entretanto, deixo-vos com mais um excerto da mais recente criação... Ainda por terminar. :)

*** *** *** *** *** *** *** *** *** ***

O chão era verde, cheio de erva, arbustos e pontuado por algumas árvores centenárias e rochas altas, largas, arredondadas e lisas. Olhou à sua volta, o céu estava cinzento, mas não ameaçava chuva. Havia uma réstia de névoa por entre as copas das árvores e que impediam ver para além da muralha do castelo que se desenhava a sensivelmente oitocentos metros do local onde se encontrava. Ligeiramente mais perto estava ela, uma mulher mediana, esguia, com cabelo cor de fogo, comprido e liso, espalhado ao sabor do vento. Os seus olhos cinzentos como o céu e profundos, fitavam-no, e os seus lábios rosa estavam abertos num sorriso doce e quente que lhe iluminava o rosto. Envergava um vestido preto de corte medieval, corpete justo, mangas compridas em sino e saia comprida e ligeiramente rodada. Viam-se pequenos apliques de renda, também ela negra, no decote direito e na base das mangas.

Diogo aproximou-se lentamente, sempre de olhos postos na figura feminina à sua frente. Ela sorria-lhe docemente, um sorriso que lhe aquecia o olhar e lhe dava alguma cor às faces. Afastou os braços, apenas o suficiente para que a brisa lhe envolvesse o torso. Naquela posição, poder-se-ia dizer que os braços se tinham aberto como que a chamá-lo para um abraço quente e seguro. Bastava a sua presença para Diogo se sentir seguro, feliz, completo.
Mais três passos e estava à sua frente. Olhou-a nos olhos, sorriu-lhe e estendeu um braço para lhe tocar nas faces. Colocou a sua mão entre o lóbulo da orelha e o pescoço. A pele era macia, alva e fresca. A sua fragrância, libertada pela brisa, era fresca, frutada... Citrinos, tinha quase a certeza que a fragrância continha citrinos.
Ela avançou, em silêncio, encostando-se nele, pousando a sua cabeça no ombro dele, envolvendo-lhe a cintura com os seus braços. Os seus lábios, assim como a sua respiração roçavam-lhe a pele exposta do pesçoco. Não resistindo àquele abraço, Diogo abraçou-a de forma segura, forte, mas sem apertar demasiado. Passaram-se segundos, minutos... Nenhum dos dois se mexeu. Deixaram-se ficar assim por algum tempo, nenhum deles soube precisar quanto.

- Quem és tu? – perguntou Diogo.

A figura feminina ergueu a cabeça para o fitar. Sorriu-lhe, mas não lhe respondeu. Colocou o indicador direito sobre os lábios do seu interlocutor como que para o silenciar e sorriu-lhe. Depois afastou-se ligeiramente dele, continuando a sorrir e virou-se de costas, começando a caminhar na direcção da muralha. Ia virando a cabeça na direcção de Diogo, sempre com um sorriso, chamando-o com uma mão.
Ele seguiu-a, fixando a sua figura ondulante ao vento. Já não era a primeira vez que a via. Sabia exactamente para onde se dirigia. Há cinco anos que ela fazia parte dos seus sonhos, ou melhor, há cinco anos que ela era o seu único sonho. E que sonho. A sensação de liberdade, de felicidade, de preenchimento, compreensão, camaradagem... Podia dizer-se completo.

Chegaram ambos a uma espécie de clareira, dado que apenas a zona oriental da muralha tinha um bosque denso. Nessa clareira estava uma tenda de tecidos vários e coloridos. Era espaçosa. Diogo continuava a fitar a figura feminina que se tinha sentado numas almofadas dispostas aleatoriamente no chão, à entrada da tenda, sob um toldo feito com os mesmos tecidos. Ao seu sinal, juntou-se-lhe. Não havia palavras... em cinco anos nunca lhe tinha dito o seu nome.
Ela sorria-lhe e olhava-o dissimuladamente sob as longas pestanas. As faces estavam coradas da caminhada. Diogo sorriu-lhe também. Pegou-lhe na mão e beijou-lhe os nós dos dedos, a palma e o pulso. Ela corou um pouco mais, retirando a mão das dele para lhe afagar o rosto. Passou-lhe um dedo pela sobrancelha, pelo maxilar, pelo contorno dos olhos, do nariz e dos lábios. Parou nos lábios. O dedo circundava aquele pedaço de pele macio, quente, sequioso por um beijo. Aproximou-se dele lentamente, mantendo o olhar. Diogo seguiu o seu impulso e beijou-a. Começou por um beijo suave, doce, meigo. Um beijo de reconhecimento de dois amantes que se encontram através do tempo e do espaço. Não muito depois o beijo transformou-se em algo carnal, apaixonado, quente, exigente, profundo e sôfrego. Abraçaram-se enquanto os seus lábios unidos se deleitavam com sabores e texturas das suas bocas.

No exterior da tenda o nevoeiro adensava-se. A aragem soprava mais fria. Mas ali naquele recanto, o frio não entrava. O abraço alastrou-se para uma descoberta de dois corpos. Diogo despia-a com cuidado e gentileza, mas a sua boa vinha reclamar aquele corpo como seu. Deixava-lhe um rasto de beijos e carícias a cada recanto que tocava, a cada peça de roupa que despia. Ela não se fez rogada e também o despiu, também percorreu os seus lábios deixando um traçado de beijos ao longo daquele torso tonificado. As carícias tornaram-se mais íntimas, as mãos tentavam abranger o máximo de pele que conseguiam. As respirações estavam ofegantes e os corpos começavam a ficar suados. Não levou muito tempo a que os corpos se fundissem num só. O libertar da ansiedade, o terminar de uma busca intensa, o celebrar a vida e a paixão, tudo contido numa união. Moviam-se lentamente, Diogo tinha receio de magoá-la, sempre tivera e pensava que sempre iria ter. Os dedos das suas mãos estavam agora entrelaçados nos dela. O ritmo ia aumentando gradualmente e ambos se aproximavam do precipício dos sentidos... E saltaram, juntos, aterrando juntos num colchão de nuvens e estrelas.

Deixaram-se ficar deitados e abraçados, sob o toldo, a ver a névoa à sua volta. A brisa continuava a soprar fria, o céu cinzento, tudo permanecia igual. Diogo acariciava-lhe o longo cabelo, o braço e o pescoço com uma mão, enquanto a outra se mantinha entrelaçada com a dela. Continuaram aconchegados um no outro durante algum tempo. Em silêncio.
Um raio rasgou o céu e fez-se ouvir um trovão. O som feroz despertou os amantes deitados sobre as almofadas. Ela levantou-se e começou a vestir-se de forma apressada. Estava na hora. Diogo estava meio atordoado, pois tinha adormecido entretanto, no aconchego em que se encontrava.
A figura feminina, já totalmente vestida olhou novamente para ele, desta vez com um semblante triste. Aqueles olhos cinzentos e profundos relutantes em deixarem-no, mas tinha de ir.

- Posso saber como te chamas? – perguntou Diogo.
- Tenho de ir. – E dizendo isto desapareceu sob uns panos coloridos que escondiam um cubículo num dos cantos da tenda.

Diogo sabia que naquele espaço se encontrava um espelho enorme, oval, antigo, com armação em ferro fundido e trabalhado. Sabia também que quando se levantasse para verificar, ela não estaria lá. Ainda assim fez o que tinha de ser feito. Levantou-se lentamente, olhando para o exterior e vendo a chuva que começava a cair. Vestiu peça por peça, calçou-se. Não sabia bem porquê, mas tinha o hábito de ajeitar as almofadas. Deixá-las sempre dispostas tal como estavam antes de ele lá chegar. Antes de ter a mulher que amava nos seus braços. Antes de a fazer sua. Dirigiu-se então ao interior da tenda. Salvo uma mesa rústica de madeira e dois bancos compridos, um de cada lado da mesa, também eles em madeira, a tenda encontrava-se vazia. Caminhou até ao canto direito da tenda onde um amontoado de panos encobriam um cubículo que se assemelhava a um vestiário. Desviou o que tapava a entrada e, tal como previra, e como sempre acontecia, este encontrava-se vazio. Apenas o espelho antigo e trabalhado preenchia parte do interior daquele espaço.

Outro trovão, bem por cima do local onde Diogo se encontrava e tudo se desvaneceu.


Diogo acordou sobressaltado.